Excesso de peso associado a memória fraca

Estudo publicado no “The Quarterly Journal of Experimental Psychology”

01 março 2016
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Os jovens adultos obesos têm uma memória episódica – capacidade de recordar eventos passados - mais fraca que os seus pares, sugere um estudo publicado no “The Quarterly Journal of Experimental Psychology”.
 

Os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que existe uma associação entre o índice de massa corporal (IMC) elevado e um baixo desempenho num teste de memória episódica.
 

Os resultados deste estudo vão ao encontro dos resultados de outros estudos anteriores que sugerem que o excesso de peso pode estar associado a alterações na estrutura e função do cérebro e na capacidade de desempenhar determinadas tarefas cognitivas na perfeição. A obesidade tem sido especificamente associada à disfunção do hipocampo, uma área do cérebro envolvida na memória e aprendizagem, e ao lobo frontal, a parte do cérebro envolvida na tomada de decisões, resolução de problemas e emoções, sugerindo que também pode afetar a memória. Contudo, ainda existem poucas evidências relativamente ao comprometimento da memória na obesidade.
 

“Sabe-se que a saciedade e a fome são impulsionadas pelo equilíbrio das hormonas no corpo e cérebro, mas os fatores psicológicos também desempenham um papel importante. Tendemos a comer mais quando estamos distraídos a ver televisão ou a trabalhar, e comemos por conforto quando estamos tristes”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Lucy Cheke.
 

Adicionalmente, a memória episódica também é importante neste processo. “Quão vividamente nos lembramos de uma refeição recente, nomeadamente do almoço de hoje, pode fazer diferença na forma como nos sentimos com fome e quão propensos estamos a deixarmo-nos seduzir por uma barra de chocolate horas mais tarde”, referiu a investigadora.
 

Neste estudo preliminar, os investigadores contaram com a participação de 50 indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, com IMC que variavam entre os 18 e os 51. Um IMC entre os 18 e os 25 é considerado saudável, entre os 25 e os 30 é indicador de excesso de peso e acima dos 30 é considerado obesidade. Os participantes foram submetidos a um teste de memória. No geral verificou-se que havia uma associação entre um maior IMC e um menor desempenho no teste de memória.
 

Na opinião dos investigadores estes resultados sugerem que as alterações estruturais e funcionais no cérebro encontradas anteriormente nos indivíduos com um IMC elevado podem ser acompanhadas por uma redução da capacidade para formar e/ou recuperar memórias episódicas. Uma vez que o efeito foi demonstrado em adultos jovens, demonstra mais uma vez que as deficiências cognitivas que acompanham a obesidade podem estar presentes no início da vida adulta.
 

“Não estamos a afirmar que as pessoas com excesso de peso são necessariamente mais esquecidas. Contudo, se estes resultados forem generalizados para a memória na vida quotidiana, podem significar que as pessoas com excesso de peso têm uma menor capacidade de reviver detalhes de eventos passados, tais como refeições anteriores. A investigação sobre o papel da memória na ingestão de alimentos sugere que isto pode prejudicar a capacidade de utilizar a memória para ajudar a regular o consumo nutrientes”, concluiu Lucy Cheke.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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