Excesso de glucose: enzima impede efeitos tóxicos

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

19 janeiro 2016
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Investigadores canadianos descobriram uma enzima que pode impedir os efeitos tóxicos da glucose nos vários órgãos, revela um estudo publicados nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Os investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, demonstraram que a enzima glicerol 3-fosfato fosfatase (G3PP) é capaz de desintoxicar o excesso de glucose das células, uma descoberta que pode conduzir ao desenvolvimento de terapias contra a obesidade e diabetes tipo 2.

 

“Quando a glucose se encontra em níveis anormalmente elevados no organismo, a glucose derivada do glicerol-3 fosfato atinge níveis excessivamente elevados nas células, e um metabolismo exagerado do glicerol-3 fosfato pode danificar vários tecidos”, explicou um dos líderes do estudo, Marc Prentki.

 

Neste estudo os investigadores constataram que a G3PP é capaz de decompor este excesso de glicerol fosfato em glicerol e desviá-lo para fora da célula, protegendo assim as células beta do pâncreas produtoras de insulina e vários órgãos dos efeitos tóxicos decorrentes dos elevados níveis de glucose.

 

As células dos mamíferos utilizam a glucose e os ácidos gordos como nutrientes principais. A utilização destes nutrientes no interior das células regula muitos processos fisiológicos, como a secreção de insulina pelas células beta, produção de glucose no fígado, armazenamento de gordura no tecido adiposo e decomposição de nutrientes para a produção de energia.

 

O desequilíbrio destes processos conduz à obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. As células beta são sensíveis a alterações nos níveis de glucose no sangue e produzem insulina, de acordo com as necessidades do organismo. A insulina é uma hormona importante para o controlo da glucose e utilização de gordura. Contudo, quando as células beta se encontram com níveis elevados de glucose e ácidos gordos, estes tornam-se tóxicos e danificam-nas, conduzindo à sua disfunção e diabetes. Quando a glucose está a ser utilizada nas células, o glicerol-3-fosfato é formado. Esta é uma molécula central para o metabolismo, uma vez que é necessária para a produção de energia e formação de gordura.

 

“Ao desviar a glucose como glicerol, a G3PP impede a excessiva formação e armazenamento de gordura e também diminui a produção excessiva de glucose no fígado, um dos principais problemas da diabetes”, referiu, um outro autor do estudo, Murthy Madiraju.

 

Na opinião dos investigadores, este estudo fornece um novo alvo terapêutico para a obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Atualmente os investigadores estão a tentar descobrir pequenas moléculas com capacidade de ativar a G3PP para tratar as doenças cardiometabólicas. Estes fármacos, que serão únicos no modo de ação, terão de ser confirmados em vários modelos animas antes de serem desenvolvidos para a utilização em humanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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