Excesso de consumo de antidepressivos

Psicólogo denuncia exagero na prescrição

23 março 2004
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O consumo de antidepressivos, em Portugal, «aumentou mais de 100 por cento nos últimos anos, o que implicou uma subida das despesas do Estado neste domínio em mais de 300 por cento», garante Carlos Lopes Pires, professor da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, para quem «existe uma clara ausência de ciência e um enorme facilitismo da parte de alguns psiquiatras que prescrevem estas combinações de medicação».E isto acontece, acusa, «porque se instalou a ideia, inclusivamente no seio da comunidade médica, de que estamos perante fármacos sem consequências adversas, o que é uma falsidade». O problema, denuncia, «é que a comunidade académica e científica tem ainda grandes reservas na abordagem destas situações», que configuram, do seu ponto de vista, «um grande negócio». Porém, sublinha, «se o ministro Bagão Félix quiser diminuir o absentismo no trabalho, basta retirar a comparticipação aos antidepressivos - que são, também, a primeira escolha para os casos de ansiedade».De acordo com o mesmo investigador, actual coordenador científico do Curso de Psicologia do ISLA, em Leiria, onde também dirige a pós-graduação em Psicologia Clínica e da Saúde, «nunca em Portugal se apontou o lado negro destas situações». «Há pessoas que sofrem com tratamentos altamente agressivos que lhes são impostos», acrescenta Carlos Pires, que acaba de publicar o livro E o rei vai nu - os problemas e as vítimas das drogas psiquiátricas, no qual lança um forte libelo contra o uso e abuso das drogas, na linha, aliás, do que já escrevera na sua anterior obra A depressão não é uma doença.Fonte: Jornal de Notícias

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