Excesso de calorias e não de proteínas contribuem para aumento da gordura corporal

Estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”

06 janeiro 2012
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É o excesso de calorias e não de proteínas que contribui para um aumento de gordura corporal, de acordo com um pequeno estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

 

Os investigadores do Pennington Biomedical Research Center, nos EUA, conduziram este estudo, em condições criteriosamente controladas, para determinar se o nível de proteínas ingeridas afetava, de um modo diferente, a composição corporal, o ganho de peso ou as energias despendidas. O estudo contou com a participação de 25 indivíduos saudáveis, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, que tinham um índice de massa corporal entre 19 e 30 Kg/m2.

 

Após terem seguido uma dieta para estabilizar o peso, os participantes ingeriram, durante cerca de dois meses, uma dieta que continha um excesso de 954 calorias por dia e em que o teor proteico era variável.

 

O estudo revelou que, independentemente do sexo, todos os participantes aumentaram de peso. A taxa de peso ganho para aqueles que consumiram uma dieta pobre em proteínas (5% das calorias eram provenientes de proteínas) era significativamente mais baixa do que aquela obtida nos outros dois grupos, em que 15 ou 25% das calorias eram provenientes de proteínas. Os participantes do grupo que consumiu uma dieta com um baixo, normal ou elevado teor de proteínas, ganharam, respetivamente, 3,16Kg, 6,05 Kg e 6,51Kg.

 

Os investigadores verificaram que a gordura corporal aumentou de forma semelhante nos três grupos e representou 50 a mais de 90 % do excesso de calorias armazenadas. O gasto energético em repouso, o gasto energético total, e o nível proteico não aumentaram durante a ingestão excessiva de calorias para o grupo de participantes incluídos na dieta baixa em proteínas. Por outro lado, o gasto energético em repouso aumentou significativamente nos outros dois grupos.

 

Os investigadores, liderados por George A. Bray, revelaram, em comunicado de imprensa, que “ o peso ganho, através do mesmo consumo excessivo de calorias, com a dieta pobre em proteínas foi menor do que o peso ganho com uma dieta com níveis proteicos normais. As calorias por si só contribuíram, contudo, para um aumento da gordura corporal. Pelo contrário, a dieta com níveis proteicos normais contribuiu para um aumento do gasto de energia e da massa corporal magra, mas não para o aumento de gordura corporal”.

 

Investigadores da University of California, nos EUA, acrescentaram também que “estes resultados sugerem que a adoção de uma dieta pobre em proteínas, apesar de conduzir a um menor aumento de peso, pode aumentar a deposição de gordura conduzindo à perda de massa corporal magra”. Na opinião destes investigadores, “os médicos deviam ter em conta a quantidade de gordura total dos pacientes, em vez de simplesmente medir o peso ou o índice de massa corporal e concentrar-se nas potenciais complicações da acumulação excessiva de gordura. O tratamento da obesidade devia envolver a redução de gordura em vez de simplesmente se centrar na perda de peso”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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