Excesso de álcool acelera perda de memória

Estudo publicado na revista “Neurology”

21 janeiro 2014
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A perda de memória dos homens de meia-idade é acelerada pela ingestão diária de uma quantidade excessiva de álcool, defende um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

Para além estar envolvido no desenvolvimento de doenças crónicas, o álcool pode também afetar o processo de envelhecimento, apesar de este efeito não estar ainda completamente clarificado. Acredita-se que um consumo baixo a moderado de álcool está associado com uma melhor função cognitiva e um menor risco de demência. Contudo, pouco se sabe quanto ao seu impacto no decorrer do envelhecimento, uma vez que a investigação realizada até à data sobre o consumo de álcool e a sua relação com a memória e a função executiva, que envolve a atenção e as capacidades de raciocínio, foi efetuada em populações idosas.
 

Assim neste estudo, os investigadores da Universidade College London, no Reino Unido, focaram-se em indivíduos de meia-idade, tendo contado com a participação de 5.054 homens e 2.099 mulheres cujos hábitos de bebida foram avaliados três vezes ao longo de um período de 10 anos. As bebidas consideradas no estudo foram o vinho, cerveja e licores. Os primeiros testes à memória e à função executiva foram realizados quando os participantes tinham uma média de 56 anos. Estes testes foram repetidos mais duas vezes nos 10 anos seguintes.
 

O estudo apurou que não havia diferenças no declínio da memória ou na função executiva dos homens que não consumiam álcool ou que consumiam quantidades baixas, menos de 20 gramas de álcool diárias.
 

Contudo, os investigadores, liderados por Séverine Sabia, verificaram que os homens que bebiam diariamente mais de 36 gramas de álcool apresentavam um declínio 1,5 a 6 anos mais rápido na memória e na função executiva, comparativamente com aqueles que ingeriam quantidades moderadas de álcool. No caso das mulheres a associação entre o consumo elevado de álcool e a perda de memória mais rápida não foi tão evidente.
 

Os investigadores concluem que os resultados deste estudo estão de acordo com os obtidos anteriormente, tendo sido verificado que o consumo moderado de álcool não parece ser prejudicial para a função cognitiva. Por outro lado, o consumo elevado de álcool tem, pelo menos nos homens, efeitos negativos na memória e na função executiva. Estudos anteriores já tinham sugerido que o consumo de quantidades excessivas de álcool estava associado com um elevado risco de doenças vasculares, as quais por sua vez aumentam o risco de distúrbios cognitivos.

 

Adicionalmente, elevadas quantidades de álcool podem ter efeitos a curto ou a longo prazo no cérebro, diretos ou indiretos, incluindo efeito neurotóxico, efeitos proinflamatórios, desenvolvimento de doenças cerebrovasculares e deficiências em determinadas vitaminas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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