Exame consegue detectar Alzheimer precocemente

Demência poderá ser retardada – afirmam especialistas

09 novembro 2001
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Uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (EUA), revelaram na última edição do Journal of the American Medical Association que conseguiram, pela primeira vez, detectar os lapsos de memória que indiciam se uma determinada pessoa vai desenvolver a doença de Alzheimer.
 

 

Estes investigadores descobriram que a tomografia com emissão de positrões – PET (Positron Emission Tomography) consegue detectar com precisão e ainda no início da doença os primeiros sinais reveladores da doença de Alzheimer em 95% dos casos.
 

 

Alzheimer: doença degenerativa
 

 

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa e progressiva que conduz o paciente à demência cerebral profunda e, eventualmente, à morte. As suas causas são desconhecidas, sabendo-se que os neurónios morrem devido à acumulação de proteínas quer dentro das células (proteína tau) quer fora das células (proteína beta-amilóide). A proteína beta-amilóide acumula-se formando placas nas áreas afectadas e, actualmente, o diagnóstico só é confirmado na autópsia.
 

 

O processo que desencadeia o início da acumulação destas proteínas ainda é desconhecido mas sabe-se que a perda de células cerebrais não ocorre de forma homogénea e, normalmente, começa pelas áreas responsáveis pela linguagem. Depois, são afectadas outras regiões do cérebro o que compromete progressivamente o estado mental do indivíduo.
 

 

Os médicos sabem que existem factores genéticos que conduzem ao desenvolvimento da doença e, por isso, quem tem um familiar próximo, como o pai o a mãe, afectado tem maiores probabilidades de, também, vir a desenvolver sintomas de Alzheimer. Contudo, devem existir outros factores além dos genéticos porque mesmo entre gémeos idênticos é possível que um desenvolva a doença e o outro não, o que sugere que os factores ambientais também devem ser determinantes no aparecimento desta doença degenerativa.
 

 

Como o PET avalia a actividade cerebral
 

 

A quantidade de glicose metabolizada no cérebro é um indicador indirecto da sua actividade. Assim, o aumento da actividade cerebral implica o aumento da quantidade de glicose metabolizada e, por sua vez, a diminuição da actividade cerebral está associada à diminuição de metabilização deste açúcar.
 

 

A PET avalia o nível de actividade nas diversas áreas do cérebro medindo a quantidade de glicose metabolizada nessas regiões. Um declínio no metabolismo da glicose implica uma diminuição na actividade de uma determinada região cerebral.
 

 

Segundo o coordenador desta pesquisa, Dan Silverman, «o PET abre uma janela para o cérebro vivo com um grau de exactidão em tudo semelhante ao da autópsia».
 

 

O significado desta descoberta revela-se na possibilidade de se poder obter um diagnóstico de Alzheimer preciso e precoce, possibilitando que se inicie uma terapia especificamente direccionada para esta doença ainda nas primeiras fases do seu desenvolvimento, tal como é sobejamente recomendado pela maior parte dos especialistas.
 

 

De facto, os próprios investigadores responsáveis por esta descoberta são os primeiros a apontar esta possibilidade de direccionar precocemente o doente de Alzheimer para uma terapia específica e, dessa forma, tentar «desacelerar» o progresso da doença e, desta forma, preservar a qualidade de vida do indivíduo.
 

 

A eficácia do exame em números
 

 

Dan Silverman e seus colaboradores mapearam a actividade cerebral utilizando a PET em 284 adultos de meia idade e mais velhos afim de avaliarem o seu nível de demência cerebral. Depois do exame de tomografia ter revelado alterações na actividade do cérebro, os investigadores utilizaram esses resultados para preverem as capacidades cognitivas futuras dos pacientes.
 

 

As previsões foram confirmadas em 146 doentes cuja evolução da doença foi seguida ao longo de nove anos. Noutros 138 doentes, os investigadores estudaram o tecido cerebral após o seu falecimento.
 

 

Depois de compararem todos os resultados finais, a equipa de Dan Silverman confirmou que o exame realizado por PET identificou correctamente, ainda nas fases iniciais da demência, a doença de Alzheimer em 95% dos pacientes. O mesmo exame diagnosticou correctamente a doença em 93% dos pacientes que já apresentavam sinais de demência cerebral já avançados e 94% dos diagnósticos foram confirmados após a morte, através da autópsia.
 

 

De acordo com o coordenador deste trabalho de investigação, o grande obstáculo na utilização da tecnologia da PET é, para já, o seu custo muito elevado: cada exame custa cerca de 1500 dólares.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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