Europeus estão a ficar criminosos

Classe média recorre a burlas e mentiras sem problemas

21 setembro 2003
  |  Partilhar:

Os europeus estão a ficar mais criminosos. Pelo menos é o que sugere um estudo recente feito em Inglaterra, País de Gales e Alemanha. O facto de se sentirem vítimas conduz as pessoas ao mundo do crime.
 

 

A pesquisa mostrou que muitas pessoas agem de forma cínica e egoísta e não vêem problemas em burlar agências de seguros, roubar material do trabalho, não declarar impostos ou solicitar reembolsos de despesas que não foram feitas.
 

«Descobrimos que muitos cidadãos da Europa são ao mesmo tempo vítimas e violadores no mercado», disse à Reuters a professora Susanne Karstedt, da Universidade Keele, durante uma conferência científica.
 

 

Segundo o estudo, são cidadãos e consumidores da classe média que se consideram respeitáveis e rejeitam o rótulo de criminosos.
 

 

Os custos com fraudes e falsificações chegaram a 13,8 biliões de libras, quase 22 biliões de euros, quantia mais do que cinco vezes superior ao que foi alvo de furtos e assaltos no mesmo período.
 

 

Mais de 50 por cento dos alemães e 34 por cento dos britânicos entrevistados admitiram que costumam pagar compras em dinheiro para evitar impostos. Além disso, 22 por cento dos alemães e sete por cento dos ingleses e galeses admitem fraudes a seguros, e 10 e três por cento, respectivamente, confessam que mentiram para receber benefícios financeiros aos quais não tinham direito.
 

 

Karstedt e o seu colega Stephen Farrall, responsáveis pela pesquisa, disseram que muitos europeus sentem-se mal com certos episódios do dia-a-dia. Reclamam, por exemplo, da compra de produtos defeituosos, de pacotes turísticos enganadores e de comida de má qualidade. Também acham que são lesados em oficinas de consertos e obrigados a pagar débitos inexistentes no cartão de crédito.
 

 

«Achamos que os consumidores estão a mudar», disse Karstedt, acrescentando que, quanto menos confiança as pessoas têm nas instituições, mais provável é cometerem fraudes.
 

 

O perfil dos infractores, segundo a pesquisa, é de homens, empregadores, pertencentes às classes sociais mais privilegiadas e com acesso à Internet. «As práticas ilegais, injustas ou obscuras de consumidores e empresas são importantes para a nossa compreensão da moralidade da nossa sociedade», afirmou Karstedt.
 

 

Questionada sobre a validade da pesquisa como prova de que a sociedade europeia está a ficar desonesta, a investigadora apenas afirma «parecer haver um aumento».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.