Europeus em mudança de atitude

Em 2006 serão gastos 96 biliões de euros para emagrecer

05 junho 2002
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Se é uma daquelas pessoas que passa metade do ano a pensar na dieta vai fazer para emagrecer, então esta notícia interessa-lhe. Um estudo divulgado esta semana e realizado pela Datamonitor, (uma empresa que reúne analistas de mercado de sete países europeus) refere que no ano 2006, os europeus irão gastar cerca de 96 biliões de euros em produtos dietéticos.
 

 

A análise mostra que os consumidores estão a seguir a tendência norte-americana de aumento do número de obesos e que os fabricantes de produtos dietéticos vão ser os principais beneficiados com esta situação de saúde pública.
 

 

No relatório da Datamonitor, Andrew Russell, analista de mercado, refere que «um terço dos consumidores da Europa ocidental estão com sobrepeso hoje em dia. E, em 2006, esse índice deve ser de quase metade da população».
 

 

A obesidade é um problema particularmente grave na Alemanha, Itália e Espanha, países nos quais mais da metade da população é considerada clinicamente com excesso de peso. Entre os britânicos e os franceses, a taxa desce para 40 por cento.
 

 

À medida que os europeus ficam cada vez mais obesos, os fabricantes de alimentos com baixas calorias, bebidas milagrosas do tipo milk-shake e de margarinas com baixo teor de colesterol promovem o «culto da forma física» e perda de peso.
 

 

Segundo Russel, « a consciência dos consumidores sobre a importância do exercício físico e de uma boa alimentação aumentou nos últimos anos. Isso é consequência do crescimento das campanhas publicitárias de academias profissionais, dos programas de dieta e de técnicas de exercício».
 

 

No estudo, um terço dos entrevistados considerou existir o conceito de «corpo ideal» e dois terços disseram achar que a maioria das outras pessoas acreditam nesse conceito. Esse interesse, no entanto, «nem sempre se traduz em mudanças de hábito duradouras», apontou o analista.
 

 

Mercado em alta
 

 

Há alguns anos que o mercado de produtos dietéticos apresenta uma subida constante. Segundo dados da Datamonitor, a taxa anual média de crescimento ronda os 2,3 por cento nos sete países entre 1996 e 2001. A Itália liderou a lista com um índice de 3,7 por cento.
 

 

A Alemanha, por seu turno, é o maior mercado de produtos para emagrecimento. Só no ano passado, os alemães gastaram cerca de 19,3 biliões de euros em produtos dietéticos, ou seja, mais que os 15,2 biliões de euros despendidos na Grã-Bretanha e 13,2 biliões gastos em França.
 

 

Embora esse consumo tenha representado para o mercado europeu um total de 92,5 biliões de euros no ano passado, a Datamonitor projecta que esses valores cheguem a 96 biliões em 2006.
 

 

As explicações deste fenómeno não são ainda muito exactas. Para a empresa de análise de mercado, talvez os europeus com peso «normal» sejam mais propensos a tomar medidas para mudar o corpo em comparação com os que têm excesso de peso.
 

 

Quem irá ser prejudicada com esta mudança de atitude é, segundo a Datamonitor, a indústria do álcool. Estimativas da empresa apontam que, em 2006, a consciência da necessidade de abstinência do álcool (especialmente do consumo de cerveja) para melhorar a forma física custará 5 biliões de euros à indústria de bebidas.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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