EUA deve aprovar medicamento para negros

Fármaco gera conflitos entre a comunidade científica

22 novembro 2004
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Um novo medicamento para complicações cardíacas dirigido especialmente à população negra dos Estados Unidos está a provocar um aceso debate entre cientistas e médicos sobre genética e ética na profissão médica.O medicamento, que será comercializado com o nome de BiDil caso seja aprovado pelas autoridades norte-americanas, é o resultado de vários anos de investigação, e foi anunciado numa conferência da principal organização de cardiologistas norte-americanos, a American Heart Association.As investigações foram publicadas na prestigiosa publicação médica New England Journal of Medicine, que já colocou, no entanto, os resultados no site na Internet, fazendo subir imediatamente a pressão arterial entre alguns cientistas, que afirmam que medicamentos dirigidos a uma raça especifica levantam graves problemas éticos e científicos.Estudos indicam que nos Estados Unidos a população negra sofre mais frequentemente, e com idade mais jovem, de colapsos ou síncopes cardíacas que podem causar a morte. Entre os 45 e 64 anos de idade, os norte-americanos de raça negra têm duas vezes e meia mais probabilidades de morrer de colapso cardíaco que a população branca.Um colapso ou síncope cardíaca ocorre quando o músculo do coração é demasiado fraco para bombear eficazmente, causando a acumulação de fluidos nos pulmões e pernas, deixando os pacientes fracos e com dificuldades respiratórias. Pacientes nestas condições geralmente morrem no espaço de cinco anos.Jay Cohn, professor de medicina na Universidade de Minnesota, creditado como o «inventor» do novo medicamento, tem estado a estudar as duas componentes genéricas do medicamento desde o final dos anos 70. No final dos anos 90, Cohn descobriu que pacientes negros reagiam muito melhor que pacientes brancos a um medicamento com essas duas componentes (isosorbide dinitritate e hydralazine). Cohn disse que o medicamento aumenta os níveis de óxido nítrico, substância que protege as artérias.A companhia farmacêutica disse que vai submeter os resultados ao Departamento Federal norte-americano para Medicamentos e espera poder comercializar o medicamento já no próximo ano. O Departamento indicou já que concorda que o medicamento, caso seja aprovado, seja rotulado como beneficiando particularmente a população negra. Isso não tem precedentes na história da venda de medicamentos. Os defensores do novo medicamento afirmaram que há estudos nos Estados Unidos que listam 29 medicamentos que se sabe terem uma eficácia diferente para brancos e negros.Muitos geneticistas afirmam, no entanto, que a raça é um dado artificial que diz muito pouco sobre diferenças entre pessoas, pois estudos demonstraram muitas vezes existirem mais variedades genéticas entre indivíduos de uma raça específica do que entre indivíduos de raças diferentes. Fonte: Lusa

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