EUA: Cientistas contestam injecção letal

Especialistas apontam as falhas do método cruel

01 maio 2005
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Investigadores norte-americanos pediram o fim da execução por injecção letal, o método mais comum de aplicação da pena de morte nos Estados Unidos, porque, defendem os cientistas, o procedimento nem sempre é humano e indolor.
 

 

Alguns presos executados podem ter sofrido de forma desnecessária por não terem sido sedados apropriadamente, disseram os cientistas. Segundo os especialistas, o modo actual de aplicação de injecções letais não atende nem mesmo aos padrões verificados no sacrifício de animais.
 

 

O estudo foi realizado por Leonidas Koniaris, da Universidade de Miami. E, segundo o artigo publicado na revista especializada «The Lancet», os dados revelaram «falhas na implementação, no acompanhamento e na reavaliação dos casos que podem ter provocado sofrimento desnecessário de alguns dos executados».
 

 

«Devido a tudo isto, e com o objectivo de evitar a crueldade e o sofrimento desnecessários, recomenda-se a suspensão e uma reavaliação pública do método de execução por injecção letal», aconselham os cientistas.
 

 

O preso condenado à morte recebe uma anestesia durante o processo, com o objectivo de não sofrer. Sem a anestesia, o condenado sufocaria e sentiria dores horríveis, afirmou Koniaris.
 

 

Mas na análise dos protocolos seguidos na aplicação das injecções letais nos Estados do Texas e da Virgínia, onde 45 por cento dos condenados à morte dos EUA são executados, os investigadores não encontraram nenhum método de avaliar a anestesia. E os técnicos encarregados de administrar as drogas não tinham formação na aplicação da anestesia.
 

 

Quando os investigadores analisaram os dados das autópsias _feitas em 49 corpos de presos executados nos Estados de Arizona, Carolina do Norte e Carolina do Sul _ verificaram que a concentração de anestesia no sangue de 43 dos mortos era menor que a necessária para a realização de cirurgias. «Sugerimos ser possível que alguns desses presos estivessem totalmente conscientes durante as execuções», afirmou Koniaris.
 

 

Desde 1976, a injecção letal foi usada em 788 das 956 execuções realizadas nos EUA, segundo a revista The Lancet.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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