Estudo sobre problemas renais vale prémio Gulbenkian Ciência 2002

Professores do Porto recebem prémio amanhã

15 julho 2002
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O estudo de novas possibilidades de intervenção terapêutica em problemas renais valeu o prémio Gulbenkian Ciência 2002 a dois professores da Faculdade de Medicina do Porto, que o receberão quarta-feira, em Lisboa.
 

 

Patrício Silva e Pedro Gomes, professores da Faculdade de Medicina do Porto e investigadores no Instituto de Farmacologia e Terapêutica, recebem na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, o prémio Gulbenkian Ciência+2002, no valor de 25 mil euros.
 

 

Os investigadores foram distinguidos pelo estudo inovador que desenvolveram sobre a produção/acção da hormona dopamina, existente no rim, e que poderá constituir um novo alvo para intervenção terapêutica em problemas renais.
 

 

O trabalho premiado foi realizado no Instituto de Farmacologia e Terapêutica da Faculdade de Medicina do Porto e visa contribuir para "o melhor conhecimento da sinalização molecular das acções da dopamina em células renais imortalizadas".
 

 

Patrício Silva explicou à Agência Lusa que o rim determina, por via directa, a fracção dos componentes a excretar na urina e, indirectamente, define o volume de sangue em circulação e da pressão arterial.
 

 

Hipertensão
 

 

Em diversas doenças e síndromas, como a hipertensão arterial, a insuficiência cardíaca, a diabetes mellitus e a insuficiência renal, assim como no envelhecimento, assiste-se a uma deficiente função renal que determina alterações cardiovasculares, com repercussão negativa sobre outros órgãos.
 

 

A hipertensão é, em cerca de 60 por cento das situações, resultante de um deficiente processo de excreção renal de sódio e consequente elevação do volume sanguíneo circulante.
 

 

Na origem deste processo, segundo o investigador, está uma deficiente produção/acção da dopamina, substância produzida no próprio rim.
 

 

O trabalho premiado "descreve a utilização de células epiteliais renais imortalizadas para o estudo das acções da dopamina, nomeadamente sobre a forma como esta substância controla os transportadores de sódio e de potássio".
 

 

"É um sistema muito inovador que permite o estudo à escala unicelular", explicou Patrício Silva à Lusa.
 

 

Acrescentou que "o avanço tecnológico conseguido permitiu identificar vias de sinalização molecular inovadoras e integrar eventos moleculares, bioelétricos e biofísicos".
 

 

Este é o primeiro estudo feito na área e espera-se que possa constituir um novo alvo de intervenção cirúrgica.
 

 

Estímulo à investigação
 

 

O prémio Gulbenkian de Ciência, instituído em 1976, com o objectivo de estimular a criatividade e o rigor no trabalho de investigação, é dedicado este ano à área das Ciências Aplicadas e Tecnologias.
 

 

Patrício Silva é professor catedrático de Terapêutica Geral e farmacologia Clínica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e autor de mais de 300 publicações em revistas internacionais.
 

 

António Pedro Gomes é licenciado em Engenharia Biológica pela Universidade do Minho e estudante de doutoramento (Biologia Humana) na Universidade do Porto, sendo autor de 50 publicações.
 

 

Fonte: Lusa
 

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