Estudo revela que depressão é comum durante a gravidez

Investigadores apelam à urgência de estudos que esclareçam as consequências para o bebé da depressão da mãe durante a gravidez

12 agosto 2001
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A depressão é pelo menos tão frequente durante a gravidez como no período pós-parto e deveria ser diagnosticada uma vez que pode ser prejudicial para o bebé, indica um estudo realizado por Jonathan Evans e colaboradores da Bristol University, em Inglaterra, publicado no British Medical Journal.
 

 

De acordo com aqueles investigadores, os médicos preocupam-se em diagnosticar e tratar a depressão pós-parto, mas não são tão vigilantes na identificação de sintomas depressivos durante a gravidez simplesmente porque não esperam encontrar este tipo de sintomatologia.
 

 

"Isto poderá ser uma surpresa para muitos porque a maior parte das pessoas pensa que durante a gravidez as mulheres estão protegidas da depressão pois trata-se de uma fase de bem-estar emocional para a mulher," referiu Ruta Nonacs, psiquiatra perinatal no Massachusetts General Hospital em Boston. "Mas isto mostra que 10 por cento das mulheres têm depressão durante a gravidez, tal como acontece em qualquer outra fase das suas vidas," conclui.
 

 

Isto também é realçado por Jonathan Evans quando chama a atenção para o facto das conclusões da investigação realizada pela sua equipa mostrarem que a depressão pós-natal não ser um tipo especial de depressão, nem ser mais
 

frequente no pós-parto do que em qualquer outra altura da vida.
 

 

Estudos anteriores a este já haviam sugerido que a depressão e a ansiedade durante a gravidez poderão estar relacionadas com o baixo afluxo sanguíneo ao feto in utero assim como com a prematuridade e baixo peso do recém-nascido.
 

 

Evans e a sua equipa chamam a atenção para a urgência de investigação que venha esclarecer as consequências para o bebé da depressão da mãe durante a gravidez. Só assim se saberá o que será pior para o feto: se a depressão em si ou os medicamentos utilizados no seu tratamento.
 

 

Neste estudo, mais de 9 mil mulheres britânicas responderam a inquéritos relativos aos períodos de gravidez e pós-parto. Da análise destes inquéritos, a equipa de investigação constatou que a depressão se manifestou
 

durante a 18ª e a 32ª semanas de gravidez e na 8ª semana e no 8º mês após o parto, altura em que a taxa de mulheres afectadas atingiu o valor mais baixo (8%).
 

 

Embora os investigadores tenham encontrado taxas de depressão ligeiramente mais elevadas durante a gravidez (13,5% na 32ª semana) do que no pós-parto (9,1% na 8ª semana pós-natal), alguns especialistas não envolvidos neste estudo, nomeadamente David Mrazek da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, E.U.A., referem que a depressão pós-parto não terá sido detectada em algumas mulheres pois poderá ter ocorrido e ter sido resolvida antes da 8ª semana após o nascimento do bebé.
 

 

Evans e colaboradores afirmam ainda que embora o uso de antidepressivos durante a gravidez não seja de todo recomendável, os benefícios destes medicamentos deverão ser levados em conta relativamente aos riscos para as mulheres com depressão grave, cerca de 8 a 11 por cento neste estudo. As grávidas com depressão leve ou moderada podem ser tratadas com outros métodos, sem recurso aos antidepressivos.
 

 

 

 

Fonte: USATODAY
 

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