Estudo revela como as bactérias resistem aos medicamentos
11 dezembro 2001
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Apesar de todos os esforços para eliminar as bactérias patogénicas, geralmente estes microorganismos acabam por encontrar uma forma de sobreviverem. Uma investigação recente, realizada na Oregon Science and Health University em Portland (EUA), veio revelar como as bactérias da espécie Staphylococcus aureus, muitas vezes responsáveis por graves infecções hospitalares, conseguem resistir a vários antibióticos diferentes.
 

 

O grupo de investigação dirigido por Richard G. Brennan, focou a sua atenção nos mecanismos de resistência desenvolvidos pelas bactérias daquela espécie aos diversos medicamentos utilizados no tratamento de infecções ocorridas em ambientes hospitalares.
 

 

Segundo o coordenador do estudo, como a maior parte das espécies bacterianas, as S. aureus têm um sistema conhecido como bomba de efluxo multidrogas através da qual estes microorganismos expelem para o exterior substâncias tóxicas, incluindo os antibióticos.
 

 

No caso particular de S. aureus, estas bactérias produzem uma proteína, designada QacR, que lhes permite reconhecer os medicamentos à medida que atravessam a cápsula bacteriana envolvente. Depois do medicamento ser reconhecido, é activada uma das bombas de efluxo que se encarrega de o eliminar da forma mais rápida possível, aumentando dessa forma a sobrevivência dos microorganismos.
 

Num trabalho anterior, o grupo coordenado por Brennan já tinha desvendado a forma como a proteína QacR reconhece vários tipos de substâncias diferentes. O funcionamento desta proteína distingue-se das outras proteínas que têm tendência para estabelecer ligações muito específicas com a estrutura química a que se ligam, de forma similar à de uma chave e respectiva fechadura.
 

 

No artigo publicado na revista Science, os cientistas relatam que, em vez de funcionar como uma fechadura, a QacR apresenta múltiplos encaixes que podem «acomodar» vários tipos de estruturas químicas. Os investigadores utilizaram uma técnica de imagem designada por cristalografia de raios X e constataram que esta proteína não teve problemas em estabelecer ligações químicas com seis substâncias de formas e tamanhos diferentes.
 

 

Segundo o coordenador da investigação, estes novos dados podem ser aplicados no desenvolvimento de medicamentos com maiores capacidades para superar a resistências das bactérias às drogas utilizadas actualmente.
 

 

Numa entrevista à Reuters Health, Brennan afirmou que o seu grupo acalenta poder aplicar métodos bioquímicos e computacionais para criarem compostos que consigam bloquear a acção das bombas de efluxo multidrogas.
 

 

Uma outra abordagem possível, oposta à anterior, seria, ainda de acordo com Brennan, induzir as bactérias a produzirem muito mais bombas, «isso também as poderia matar», explicou.
 

 

Uma das implicações directas deste trabalho é, segundo os autores, a sua aplicação no tratamento do cancro pois, tal como as bactérias, também as células cancerígenas têm bombas capazes de explusar os medicamentos que as podem destruir.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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