Estudo mostra que dispersão mental torna as pessoas infelizes

Estudo divulgado na revista científica Science

01 agosto 2011
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Um estudo divulgado na revista científica Science, nos Estados Unidos, sugere que as pessoas gastam quase metade do tempo a imaginar que gostariam de estar noutro lugar ou a fazer outra coisa, e que esta perpétua dispersão da mente as torna infelizes.

 

"A mente humana é uma mente dispersa, e uma mente dispersa é uma mente infeliz", escrevem os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, da Universidade de Harvard, responsáveis pelo estudo. "A habilidade de pensar sobre o que não está a acontecer no momento é uma conquista cognitiva, mas tem um custo emocional", destacam.

 

A pesquisa acompanhou 2250 pessoas através de uma aplicação instalada nos seus iPhones, que inquiria aos voluntários "o quão felizes estavam, o que estavam a fazer no momento e se estavam a pensar sobre a actividade que estavam a realizar ou sobre qualquer outra coisa - e, neste caso, se era um pensamento agradável, neutro ou desagradável". Esta questão aparecia no ecrã de cada iPhone em intervalos irregulares.

 

Quando os resultados foram computados, os cientistas verificaram que a mente das pessoas estava a divagar 46,9% do tempo e que "apenas 4,6% da felicidade das pessoas num determinado momento é atribuível à actividade específica a que se está a dedicar, ao mesmo tempo em que o estado de divagação de uma pessoa corresponde a cerca de 10,8% de sua felicidade". Os voluntários declararam-se mais felizes quando faziam sexo, faziam exercício ou tinham uma conversa. Por outro lado, descreveram maior infelicidade quando usavam o computador em casa, descansavam ou trabalhavam.

 

O estudo indica que "análises de intervalo causa-efeito" apontam que "a mente dispersa dos voluntários é geralmente a causa, e não a consequência, de sua infelicidade".

 

Os voluntários tendem a ter mais foco no presente e são menos propensos à dispersão durante o sexo, segundo a pesquisa. Ao realizar qualquer outra actividade, as mentes divagam pelo menos 30% do tempo. 74% dos voluntários deste estudo eram americanos, oriundos de "um amplo espectro de cenários socioeconómicos e profissionais".

 

"O estudo mostra que nossa vida mental é permeada, num nível significativo, pelo não-presente"., concluiu Killingsworth.

 

A aplicação para iPhone usada na pesquisa está disponível para download no site www.trackyourhappiness.org.
 

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