Estudo liga uso diário de aspirina a cancro no pâncreas

Descoberta preocupa cientistas

28 outubro 2003
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Mulheres que tomam aspirina todos os dias _uma prática adoptada por milhões em todo o mundo para prevenir ataque cardíaco e AVCs, além de tratar dores de cabeça _ podem correr risco maior de contrair cancro no pâncreas.A descoberta surpreendente preocupou os cientistas, que aconselharam as mulheres a esclarecerem-se com os seus médicos sobre os riscos desse tratamento.O cancro no pâncreas é muito mortal, levando praticamente todos os doentes à morte num prazo de três anos.O estudo, feito com 88 mil enfermeiras que tomaram duas ou mais aspirinas por semana durante pelo menos 20 anos, mostrou que estas profissionais tinham uma possibilidade 58 por cento maior de ter cancro no pâncreas.Além do cigarro, o uso de aspirina é um dos poucos factores de risco já identificados para o cancro no pâncreas, segundo afirmou Eva Schernhammer, que liderou o estudo, numa entrevista colectiva. « Inicialmente pensámos que a aspirina protegeria contra o cancro pancreático, especialmente por causa da sua actuação na prevenção do cancro colo-retal, já bem documentada. Mas agora parece que teremos que examinar a ligação mais a fundo», explicou a médica, da Universidade Harvard, num comunicado.A descoberta não significa que as mulheres devam deixar de usar a aspirina, argumenta a especialista, adiantando que este medicamento tem benefícios importantes. «Também precisamos de outros grandes estudos para confirmar a descoberta, antes de tirar conclusões», aponta a especialista.Das 88.378 mulheres avaliadas, 161 desenvolveram cancro no pâncreas em 18 anos. As que tomaram 14 comprimidos ou mais por semana tiveram um risco 86 por cento maior de desenvolver a doença, comparadas com as que não usaram o medicamento. As enfermeiras que tomaram entre 6 e 13 comprimidos por semana tiveram um risco 41 por cento maior, enquanto as que tomaram de uma a três aspirinas por semana registaram uma possibilidade 11 por cento maior de ter esse tipo de cancro em relação às não-utilizadoras. As que tomavam as maiores quantidades afirmaram que usavam o medicamento não apenas como protecção contra doenças cardíacas, mas também para curar dores, principalmente as de cabeça.Os médicos não sabem o que causa o cancro pancreático e nem o que o faz tão mortal. A obesidade é outro factor de risco, mas Schernhammer disse que as descobertas do estudo se mantiveram independentemente do factor peso ou do facto de as mulheres serem fumadoras ou diabéticas.Schernhammer ressaltou também que um estudo anterior já tinha mostrado que o uso constante de aspirina pode causar pancreatite, uma inflamação no pâncreas que pode às vezes levar ao cancro. Por isso, adianta a investigadora, existe uma necessidade urgente de estabelecer as causas biológicas do cancro pancreático. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalista MNI-Médicos Na Internet

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