Estudo avalia fumo passivo em crianças

Trabalho publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention

22 maio 2006
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Substâncias químicas com potencial de causar cancro foram encontradas na urina de quase metade das crianças de pais fumadores, de acordo com um novo estudo publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention.
 

 

Investigadores do centro de oncologia da University of Minnesota, EUA, estudaram 144 crianças, filhas de pais fumadores – mãe, pai ou ambos –, e identificaram a presença de NNAL (4-(metilnitrosamina)-1-(3-piridil)-1-butanol), uma substância carcinogénea, na urina de 47% da amostra. O NNAL é produzido no corpo humano a partir do NNK (4-(metilnitrosamina)-1-(3-piridil)-1-butanona), contido no tabaco.
 

 

“O nível de NNAL detectado foi muito maior do que o verificado na maioria dos estudos sobre os efeitos do fumo passivo tanto em crianças como em adultos”, disse em comunicado da American Association for Cancer Research, o líder da investigação, Stephen Hecht.
 

 

Hecht explicou que o NNAL é um bio-marcador conhecido da absorção do NNK. “Não se encontra NNAL na urina, a não ser em pessoas expostas ao fumo do tabaco, sejam adultos, crianças ou bebés”, afirmou.
 

 

Uma investigação feita anteriormente pelo mesmo grupo tinha indicado que a primeira urina dos recém-nascidos, cujas mães fumaram durante a gravidez continha até 30% mais NNAL do que a das crianças do novo estudo. Os autores destacam que, no primeiro caso, os bebés receberam a substância directamente através da placenta e, no segundo, através da inspiração do fumo em casa ou no carro.
 

 

No novo trabalho, as crianças com níveis detectáveis de NNAL eram de famílias onde se fumava em média 76 cigarros por semana na presença dos filhos. No grupo em que a quantidade média de cigarros fumados por semana foi de até 27, não foram identificados níveis do cancerígeno.
 

 

Embora os estudos não determinem de que modo o risco de exposição ao fumo do cigarro pode afectar genética ou fisicamente os filhos de fumadores, os cientistas apontam para resultados preocupantes. “Os dados obtidos apoiam a noção de que a exposição contínua ao fumo passivo pode estar no futuro relacionada ao cancro”, explicou Hecht, lançando um apelo: “A mensagem é simples: ‘Não fume perto das crianças’.”
 

 

MNI- Médicos Na Internet
 

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