Estudo abre um novo campo na procura de tratamentos para o AVC

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

11 setembro 2017
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O estudo publicado na revista “Nature Communications” mostra que os ratinhos deficientes em tau, uma proteína encontrada no interior das células do cérebro, apresentam um nível de proteção significativo contra as lesões cerebrais excitotóxicas depois de um AVC experimental. 
 
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade e exige uma intervenção terapêutica muito rápida, com o objetivo de restabelecer o fluxo sanguíneo no cérebro antes de os neurónios sofrerem danos irreversíveis.
 
Lars Ittner e Yazi Ke, professores na Universidade de New South Wales (UNSW), na Austrália, já tinham estabelecido que, na doença de Alzheimer, os défices de memória e as mortes prematuras estavam associadas à tau. Eles suspeitavam que uma redução da tau poderia também reduzir as lesões cerebrais no AVC. 
 
"A tau como alvo de medicação para a doença de Alzheimer tem sido bastante explorada, mas como alvo de medicação para o AVC trata-se de uma ideia completamente nova", afirmou Lars Ittner.
 
O seu artigo, que tem como primeiro autor Mian Bi e como co-autor sénior Yazi Ke, é o primeiro a evidenciar que a tau desempenha um papel direto nas lesões cerebrais na sequência de AVC. A ausência de tau resulta numa proteção elevada contra as lesões cerebrais, de mais de 90%. 
 
“Isto ainda não pode ser diretamente traduzido para a terapia, mas abre caminho para uma nova forma de pensar os mecanismos que conduzem às lesões cerebrais provocadas pelo AVC e, nessa medida, abre novas vias para desenvolver terapias no futuro”, acrescentou Lars Ittner.
 
Por seu turno, Mian Bi afirma que é importante que outros estudos validem esta investigação e que “até há cerca de 10 anos, o desenvolvimento de medicamentos para o AVC era um setor muito enérgico, mas a maioria dos ensaios terapêuticos fracassaram”. 
 
Lars Ittner concorda: “É uma nova visão sobre a doença mas que está ainda num nível molecular, ainda pouco se percebe sobre ela, e precisa de novas visões e formas de a repensar para dar um passo em frente em direção à terapia”.  
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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