Estudar doenças do passado ajuda a compreender as actuais

Paleopatologia é tema de encontro em Coimbra

07 agosto 2002
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Estudar as doenças do passado pode ajudar a perceber as actuais e quais as populações com mais probabilidades de as contraírem, explicou uma especialista em paleopatologia à Agência Lusa.
 

 

A paleopatologia é a disciplina que estuda a doença no passado através do exame e interpretação de restos biológicos (esqueletos, múmias) e de outras fontes (registos escritos, obras de arte, provas etnográficas).
 

 

"A paleopatologia permite não só entender melhor as populações antigas mas também como evoluíram as doenças, como se dispersaram pelo mundo e quais as populações actualmente mais susceptíveis a determinadas patologias, já que no passado não estiveram sujeitas a elas", explicou Ana Luísa Santos, docente do departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
 

 

A disciplina, que surgiu há cerca de 200 anos, reúne contributos de vários ramos científicos como a medicina, a antropologia, a história, a biologia, a química, entre outros.
 

 

Apesar de dificilmente um paleopatologista conseguir determinar a causa da morte de uma pessoa a partir do seu esqueleto, a disciplina constitui uma ajuda preciosa da medicina forense.
 

 

"Podemos dizer quais foram as doenças, como cáries ou fracturas, que afectaram ou não uma pessoa durante a sua vida a partir da análise externa e interna do seu esqueleto", sublinhou a investigadora de Coimbra, membro da Comissão Organizadora do 14/o encontro europeu da Associação de Paleopatologia.
 

 

200 especialistas reúnem-se em Coimbra
 

 

O encontro, que vai decorrer entre 28 e 31 de Agosto na Universidade de Coimbra, deverá reunir mais de 200 especialistas de cerca de duas dezenas de países, incluindo Portugal.
 

 

Doenças infecciosas ao longo do tempo e do espaço, técnicas de análise de esqueletos e múmias e o futuro da paleopatologia serão alguns dos temas em discussão no encontro da Associação de Paleopatologia, criada em 1973.
 

A Associação conta actualmente com mais de 600 membros provenientes de 45 países.
 

 

A paleopatologia, que se ocupa também da análise de restos de animais e plantas, pode ocupar-se de vestígios com décadas ou com milhões de anos.
 

 

"É possível determinar que doenças afectaram vestígios como o crânio do homem de Cro-Magnon ou até registos fósseis anteriores ao aparecimento do homem", afirmou Ana Luísa Santos.
 

 

Para lá da observação a olho nu, os paleopatologistas recorrem nos seus exames a instrumentos como lupas binoculares, radiografias, técnicas biomoleculares ou demografia computorizada, associadas ao conhecimento da época do vestígio em análise.
 

 

"Por exemplo, quando se trata de um esqueleto procuramos, através da análise interna e externa do osso, alguma alteração em relação ao normal. A partir daí, tentamos determinar, através do diagnóstico diferencial, qual a causa dessa modificação", afirmou.
 

 

O programa do 14/o encontro europeu da Associação de Paleopatologia está disponível na Internet, no endereço electrónico http://emppa002.uc.pt .
 

 

Fonte: Lusa
 

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