Estrogénio protege a mulher contra a gripe

Estudo publicado no “American Journal of Physiology”

18 janeiro 2016
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O estrogénio, uma hormona sexual feminina, tem efeitos antivirais contra o vírus influenza A, vulgarmente conhecido como vírus da gripe, atesta um estudo publicado no “American Journal of Physiology”.
 
Ao entrar numa célula do hospedeiro, os vírus fazem cópias de si próprios e causam doença. Quando os vírus são libertados das células, estes podem se disseminar através do organismo e entre diferentes hospedeiros. A quantidade de vírus replicados determinada a sua severidade. De acordo com a líder do estudo, Sabra Klein, uma menor replicação do vírus significa que o indivíduo infetado tem sintomas mais ligeiros ou uma menor probabilidade de transmitir a doença para outra pessoa.
 
Com o intuito de analisar como o estrogénio afetava a replicação do vírus, os investigadores da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, recolheram células nasais, o tipo de células que o vírus da gripe infeta principalmente, de doadores masculinos e femininos. As células foram colocadas em cultura e expostas ao vírus, ao estrogénio, ao estrogénio ambiental bisfenol A e a modeladores seletivos do recetor de estrogénio (SERM, sigla em inglês), que são compostos que atuam de um modo semelhante ao estrogénio que são utilizados na terapia hormonal.
 
Os investigadores constataram que o estrogénio, o raloxifeno (um tipo de SERM) e bisfenol A conduziam à replicação do vírus da gripe nas células nasais das mulheres, mas não dos homens. Verificou-se que os estrogénios iniciavam os seus efeitos antivirais através do recetor do estrogénio-beta.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que os estrogénios apresentavam propriedades antivirais contra o VIH, vírus Ébola e vírus da Hepatite. Contudo, na opinião de Sabra Klein este estudo é único uma vez que foram utilizadas células primárias diretamente isoladas de pacientes, permitindo identificar o efeito dos estrogénios por sexo. Adicionalmente este é o primeiro estudo a identificar o recetor do estrogénio responsável pelos efeitos antivirais, o que pode ajudar na compreensão dos mecanismos que medeiam este efeito antiviral conservado dos estrogénios.
 
Sabra Klein refere que uma vez que os níveis de estrogénio variam ao longo do ciclo menstrual é natural que seja difícil observar este efeito protetor na população geral. Contudo, nas mulheres que se encontram na pré-menopausa e que estão a fazer algum tipo de controlo de natalidade ou as mulheres na pós-menopausa que estão a ser alvo de terapia hormonal de substituição podem estar mais protegidas durante as epidemias da gripe sazonal.
 
“Os estrogénios terapêuticos utilizados no tratamento da infertilidade e menopausa também podem proteger contra a gripe”, conclui a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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