Estratégia de fungo letal desvendada

Estudo publicado no “Nature Communications”

02 abril 2015
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Cientistas canadianos demonstraram que o fungo Candida albicans mata as células imunitárias através de uma pequena quantidade de açúcar que se encontra na sua superfície.


Todos os anos mais de 1,5 milhões de pessoas morrem em todo o mundo em consequência de infeções fúngicas. Atualmente, a Candida albicans é responsável por cerca de 90% das infeções fúngicas contraídas em ambiente hospitalar nos EUA. A taxa de mortalidade de uma infeção sistémica provocada por este fungo é superior a 40%.


Pensava-se que a Candida albicans se disseminava mudando de uma simples célula redonda para um longo fio de células ou filamentos e que era esta alteração de forma que permitia ao fungo movimentar-se ao longo da corrente sanguínea, penetrar nos tecidos e matar as células imunitárias.


“Não é a mudança de forma, por si, que permite ao fungo matar a célula imunitária, mas o que acontece em paralelo”, revela Leah Cowen, docente da Universidade de Toronto e líder deste estudo. “A adição de proteínas glicosiladas, ou seja, proteínas com um açúcar adicionado, alteram a superfície das células fúngicas.”


Cowen e a sua equipa deixaram células imunitárias, denominadas macrófagos, consumir o fungo e, uma hora depois, retiraram o fungo dos macrófagos. De seguida, expuseram novos macrófagos não só aos fungos consumidos anteriormente como a fungos que não tinham sido consumidos para poder comparar os resultados.


Os cientistas verificaram então que as células fúngicas que nunca tinham sido consumidas não conseguiam matar os macrófagos, mas aquelas que já tinham sido consumidas, sim. Os investigadores depreenderam que aquilo que tornava estas células fúngicas letais se encontrava na sua superfície, uma vez que células mortas não possuem atividade interna.


Para comprovar esta hipótese, os cientistas utilizaram uma enzima denominada Endo H para eliminar os açúcares de proteínas glicosiladas que se encontram nas células fúngicas mortas. Esta ação bloqueou por completo a ação letal das células fúngicas, o que indicou um potencial caminho para uma nova estratégia terapêutica para a Candida albicans.


Segundo Cowen, uma terapia que tenha como alvo a capacidade das células fúngicas em superar o sistema imunitário poderá ser promissora, uma vez que poderá minimizar efeitos em micróbios saudáveis e evitar o desenvolvimento de resistência a fármacos.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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