Estirpe de gonorreia resiste a todos os antibióticos

Estudo apresentado em conferência internacional

14 julho 2011
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Um grupo internacional de investigadores descobriu uma estirpe da gonorreia resistente aos antibióticos actualmente disponíveis. Esta nova estirpe pode transformar uma infecção comum e facilmente tratável numa ameaça à saúde pública.

 

Os pormenores da investigação, liderada por Magnus Unemo em conjunto com Makoto Ohnishi, foram apresentados na XIX conferência da Sociedade Internacional de Investigação de Doenças Sexualmente Transmissíveis.

 

Os cientistas conseguiram identificar uma variante até agora desconhecida da bactéria que causa a gonorreia, a Neisseria gonorrhoeae. A análise desta nova estirpe, chamada H041, permitiu aos cientistas identificar as mutações genéticas responsáveis pela extrema resistência da bactéria a todos os tratamentos com cefalosporinas, a classe de antibióticos beta lactâmicos, os únicos que se mostram eficazes contra a gonorreia.

 

"Trata-se de uma descoberta alarmante e, por sua vez, previsível", disse, em comunicado de imprensa, Unemo do Swedish Reference Laboratory for Pathogenic Neisseria, explicando que "dado que os antibióticos se tornaram o tratamento padrão para a gonorreia em 1940, esta bactéria tem demonstrado uma notável capacidade de desenvolver mecanismos de resistência a todos os fármacos usados para a controlar."

 

"Embora ainda seja precoce avaliar se essa nova estirpe se propagou, a conhecida história de resistência da bactéria sugere que pode alastrar rapidamente a menos que se desenvolvam novos medicamentos e programas de tratamento eficazes", continuou Unemo.

 

A gonorreia é uma das doenças mais comuns de transmissão sexual em todo o mundo. Só nos EUA, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o número de casos estimado é de 700 mil infectados por ano.

 

A gonorreia é assintomática em 50% das mulheres infectadas e em 2% a 5% nos homens. Quando é sintomática, caracteriza-se por uma sensação de ardor ao urinar e secreção purulenta dos órgãos genitais. Se não for tratada, a gonorreia pode causar complicações de saúde graves e irreversíveis em mulheres e homens.

 

Nas mulheres, a infecção pode causar dor pélvica crónica e gravidez ectópica. Também pode conduzir a infertilidade, especialmente nas mulheres, mas também nos homens, e aumenta o risco de transmissão do VIH (vírus causador da sida). Em 4% dos casos, as infecções não tratadas propagam-se à pele, sangue, articulações, ou até mesmo ao coração e podem causar lesões fatais. Os bebés nascidos de mães infectadas estão em risco elevado de desenvolver infecções graves no sangue e nas articulações, enquanto a passagem pelo canal de parto de uma mãe infectada no nascimento pode causar cegueira no bebé.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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