Estimulação cerebral profunda poderá tratar anorexia?

Estudo publicado na revista “The Lancet Psychiatry”

02 março 2017
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Uma equipa de investigadores descobriu que a utilização da estimulação cerebral profunda (ECP) em pacientes com anorexia poderá ser promissora no tratamento daquela doença.
 
Num estudo conduzido pelo Centro de Ciências da Saúde de Sunnybrook, Canada, a equipa liderada por Nir Lipsman contou com a participação de 16 mulheres, tinham idades compreendidas entre os 21 e 57 anos e que em média sofriam de anorexia desde há 18 anos. As mulheres tinham um peso muito baixo, com um Índice de Massa Corporal (IMC) de 13,8.
 
Os investigadores implantaram elétrodos no córtex cingulado anterior do cérebro das participantes, através de cirurgia. Tinha já sido observado que esta região do cérebro evidencia alterações na transmissão de serotonina em pacientes com anorexia. Após a intervenção cirúrgica os elétrodos foram utilizados para estimular aquela região cerebral a cada 90 microssegundos, com uma voltagem entre 5 e 6,5 volts, pelo período de um ano.
 
Depois do período de ECP, a equipa de investigadores analisou a atividade cerebral das participantes através de Tomografia por Emissão de Positrões (PET, na sua sigla em inglês).
 
Foram detetados poucos efeitos adversos ao tratamento, sendo que alguns foram atribuídos à saúde debilitada das participantes. Uma paciente teve uma infeção no local dos elétrodos, cinco pacientes sentiram dores persistentes após a intervenção cirúrgica e outra paciente sofreu uma convulsão, cuja origem não foi determinada. 
 
Dez das 14 mulheres que se mantiveram até ao final do estudo viram reduzidos os sintomas de depressão, cinco melhoraram o estado de espírito e a ansiedade e as participantes consideraram que a sua qualidade sofreu uma melhoria.
 
Relativamente ao peso, registaram-se igualmente melhorias. Três meses após o início do tratamento, as participantes começaram a engordar e no fim do estudo o IMC das mesmas tinha subido 3,5 pontos em média. Seis das participantes inclusivamente conseguiram um IMC considerado normal, de 18,5 ou mais.
 
Foram igualmente observadas alterações positivas nos cérebros das participantes no fim do estudo. Essas alterações foram verificadas ao nível das regiões associadas à anorexia, com mais atividade nas áreas corticais periféricas, as quais estão associadas à perceção e comportamento social. As regiões do putamen, tálamo e cerebelo evidenciaram uma redução na sua atividade.
 
O autor principal do estudo comentou que “o nosso estudo sugere que uma intervenção focal no cérebro, a estimulação cerebral profunda, pode exercer um impacto no circuito dos sintomas que servem para manter a anorexia, tornando-a tão difícil de tratar”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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