Estimulação cerebral profunda mostra-se eficaz no tratamento da depressão

Estudo publicado nos “Archives of General Psychiatry”

05 janeiro 2012
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Um novo estudo, publicado nos “Archives of General Psychiatry”, mostrou que a estimulação cerebral profunda é uma intervenção segura e eficaz para a depressão resistente ao tratamento em pacientes com depressão major unipolar ou com transtorno bipolar tipo II.

 

"A depressão é uma doença grave e debilitante", revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Helen S. Mayberg. "Quando descobrimos que a estimulação cerebral profunda apresentava uma resposta antidepressiva eficaz e sustentada em pacientes resistentes ao tratamento, o próximo passo foi determinar se os pacientes com depressão bipolar resistentes aos tratamentos também poderiam ser tratados com sucesso”, acrescentou a investigadora.

 

Um estudo anterior levado a cabo pela mesma investigadora, em colaboração com investigadores da University Health Network, no Canadá, foi o primeiro a mostrar resultados para os pacientes com depressão major resistentes ao tratamento. Neste novo estudo Helen S. Mayberg incluiu pacientes com transtorno bipolar tipo II.

 

O transtorno do espectro bipolar, também conhecido como psicose maníaco depressiva, é caracterizado por episódios de mania ou hipomania alternando entre episódios de depressão. Embora as pessoas com transtorno bipolar ll não apresentem episódios completos de mania, os episódios depressivos são frequentes e intensos, e há um elevado risco de suicídio. Um dos grandes desafios no tratamento da depressão bipolar prende-se com o facto de muitos medicamentos antidepressivos poderem levar o paciente a mudar para um episódio hipomaníaco ou maníaco.

 

A estimulação cerebral profunda utiliza a estimulação elétrica de alta frequência, a qual tem por alvo uma área específica do cérebro que está envolvida neste transtorno neuropsiquiátrico específico. Neste estudo os investigadores da Emory University School of Medicine, em Atlanta, EUA, colocaram dois elétrodos, um de cada lado do cérebro, nos participantes. A outra extremidade do elétrodo foi colocada sob a pele do pescoço do paciente e ligado a um gerador de pulso implantado no peito - semelhante a um pacemaker - que conduzia a corrente elétrica.

 

Os participantes foram submetidos à estimulação durante quatro semanas, a qual foi seguida de estimulação ativa durante 24 semanas. Os pacientes foram analisados até dois anos após o início da estimulação ativa.

 

O estudo revelou que a remissão e a taxa de resposta foi ,respetivamente, 18 e 41% após 24 semanas, 36 e 36% um ano após e 58 e 92% após dois anos de estimulação ativa. Os pacientes que conseguiram alcançar a remissão não apresentaram nenhuma recaída espontânea. A eficácia deste tratamento foi similar ao obtido para indivíduos com depressão major, e nenhum dos participantes apresentou episódios maníacos ou hipomaníacos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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