Estatinas reduzem risco de depressão em pacientes cardíacos

Estudo publicado no “Journal of Clinical Psychiatry”

29 fevereiro 2012
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Os indivíduos que sofrem de doenças cardiovasculares e que tomam estatinas, fármacos habitualmente prescritos para ajudar a reduzir os níveis de colesterol, apresentam um menor risco de desenvolver depressão, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Psychiatry”.

 

Apesar de já estar perfeitamente estabelecido que a toma de estatinas é benéfica para as pessoas que sofrem de doenças cardiovasculares, ainda não se tinha investigado qual o seu efeito nos sintomas depressivos. Por outro lado, estudos anteriores já tinham indicado que os indivíduos com doenças cardíacas e que estão deprimidos, não praticam tanto exercício físico e também apresentam falhas na toma da medicação. Estes dois fatores podem conduzir a um aumento do risco da ocorrência de eventos cardiovasculares, nomeadamente acidente vascular cerebral e enfarte agudo do miocárdio.

 

Neste estudo, os investigadores da University of California, nos EUA, contaram com a participação de 965 indivíduos que sofriam de doença coronária, e que foram acompanhados ao longo de seis anos. Os participantes foram interrogados sobre o uso de estatinas, sendo a presença de sintomas depressivos também avaliada através de um questionário.

 

Os resultados do estudo mostraram que 65% dos pacientes tomavam estatinas e que estes apresentavam, segundo o questionário realizado, menos sintomas depressivos.

 

Por outro lado, a toma de estatinas pelos 776 indivíduos que não apresentaram, no início do estudo, sintomas depressivos estava associada com uma redução de cerca de 48% do risco de desenvolver depressão durante o período de acompanhamento.

 

À medida que o estudo se foi desenrolando, os investigadores verificaram que a diferença entre os pacientes que tomavam ou não estatinas ficou mais pronunciada. Os pacientes que tomavam estatinas tinham um menor risco de desenvolver depressão ao longo do tempo, ao contrário dos que não tomavam este fármaco.

 

Os autores do estudo, liderados por Mary Whooley, concluem assim que a utilização de estatinas está associada a uma diminuição do desenvolvimento de sintomas depressivos em pacientes com doença coronária, acrescentando que o mecanismo responsável por esta associação ainda não é conhecido, sendo por isso necessários mais estudos para o identificar.

 

Contudo, a investigadora sugere que o efeito das estatinas na depressão poderá estar relacionado com o fato deste fármaco impedir o desenvolvimento da aterosclerose no cérebro, a qual pode contribuir para o aparecimento de sintomas depressivos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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