Estatinas poderão reduzir risco de pancreatite

Estudo conduzido pela University of Glasgow, Reino Unido

24 agosto 2012
  |  Partilhar:

Afinal as estatinas, fármacos utilizados na redução dos níveis elevados de LDL, ou “mau” colesterol, não aumentam o risco de se contrair pancreatite, revelou um novo estudo publicado no “Journal of the American Medical Association”.

 

O pâncreas, um órgão localizado atrás do estômago, produz as enzimas e hormonas digestivas, incluindo a insulina. Cerca de um a três por cento das pessoas que contraem pancreatite morrem em consequência desta. Os sintomas de pancreatite incluem dores abdominais agudas, náuseas, vómitos e febre.

 

Baseando-se nos dados recolhidos em estudos anteriores, com um total de 150 mil participantes, o Dr. David Preiss, médico da University of Glasgow, autor principal do estudo, e colegas concluíram que o tratamento com estatinas está associado à redução do risco de pancreatite em pacientes com níveis de triglicerídeos normais ou ligeiramente elevados, pondo assim de lado as preocupações levantadas pelos resultados de estudos anteriores relativamente ao uso desses fármacos.

 

“As estatinas parecem oferecer o benefício, antes não reconhecido, de reduzir o risco de se contrair pancreatite, o que de facto contradiz o que tinha sido documentado anteriormente”, afirmou o autor principal do estudo.

 

O Dr. Robert Eckel, antigo presidente da American Heart Association e professor de medicina na University of Colorado, em Denver, USA, considera que “estes dados dão-nos confiança para não nos preocuparmos com a ocorrência de pancreatite em quem está a fazer tratamento com estatinas. As estatinas funcionam através da redução do LDL, ou “mau” colesterol, reduzindo assim a incidência de ataques cardíacos e AVC, explicou.

 

Foi também analisada outra classe de fármacos, os fibratos, que são prescritos para tratar pacientes com níveis elevados de triglicerídeos, que são outro tipo de gordura no sangue.

 

Os investigadores analisaram dados de sete ensaios clínicos aleatórios que envolviam um total de 40 mil participantes. Os pacientes, que tinham sido seguidos durante um período médio superior a cinco anos, exibiam níveis de triglicerídeos ligeiramente acima do normal, entre 145 mg/dL e 184 mg/dL (o normal situa-se abaixo dos 150 mg/dL).

 

Esta análise revelou que o tratamento com fibratos conduz a um pequeno, mas estatisticamente não significativo, aumento da ocorrência de pancreatite.

 

Os autores concluíram que “embora os resultados atuais para as estatinas e os fibratos devam ser considerados como hipóteses e o número de ocorrências de casos de pancreatite tenha sido pequeno nestes participantes no estudo com um pequeno risco de pancreatite, a análise levanta questões relativamente à escolha de agentes modificadores do perfil lipídico em pacientes com hipertrigliceridemia. Nos participantes com níveis de triglicerídeos ligeiramente acima do normal as estatinas parecem ser superiores aos fibratos relativamente à prevenção da pancreatite. As alterações ao estilo de vida também continuam a ser importantes pra o melhoramento dos perfil lipídico nesses indivíduos. Em pacientes com hipertrigliceridemia grave, um estudo comparativo de fibratos e estatinas na prevenção da pancreatite teria valor clínico”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 4
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.