Estatinas podem tratar degenerescência macular associada à idade

Estudo publicado na revista “EBioMedicine”

10 fevereiro 2016
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Uma equipa internacional de investigadores constatou que as estatinas, medicamentos capazes de diminuir os níveis de colesterol, podem ajudar a tratar a forma seca da degenerescência macular associada à idade, a principal causa de cegueira no mundo desenvolvido, dá conta um estudo publicado na revista “EBioMedicine”.
 
“Verificámos que a utilização de doses elevadas de estatinas podem eliminar o debris lipídico que pode conduzir a problemas de visão. Esperamos que este ensaio clínico preliminar seja a base de um tratamento eficaz para milhões de pacientes que sofrem de degenerescência macular associada à idade”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Joan W. Miller. 
 
A degenerescência macular associada à idade, que afeta mais de 150 milhões de indivíduos em todo o mundo, está associada à deposição de lípidos e proteínas “gordas” na retina. Os indivíduos afetados por esta doença têm visão turva ou cegueira no centro do campo visual. Há duas formas da degenerescência macular associada à idade: a exsudativa e a seca. A forma exsudativa, para a qual existe tratamento, é responsável por aproximadamente 15% dos casos degenerescência macular associada à idade. Por outro lado, para a forma seca e mais comum, que afeta 85% da população, ainda não existem terapias eficazes.
 
Os investigadores já há algum tempo que suspeitavam que poderia haver uma ligação entre a degenerescência macular associada à idade seca e a aterosclerose. Os pacientes afetados por esta forma de doença apresentam, frequentemente, drusas ricas em lípidos na retina exterior, semelhante à acumulação de material lipídico presente nas paredes dos indivíduos com aterosclerose.  
 
A toma de estatinas está de alguma forma generalizada entre indivíduos a partir da meia-idade, os quais apresentam também um risco aumentado de degenerescência macular associada à idade. No entanto, estudos anteriores demonstraram que havia uma fraca associação entre a toma regular de estatinas e melhorias significativas na degenerescência macular associada à idade.
 
Neste estudo os investigadores da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA e da Universidade de Creta, na Grécia, prescreveram 80 mg de atorvastatina a 23 pacientes com degenerescência macular associada à idade seca, marcada por depósitos lipídicos. Dos 23 indivíduos, dez apresentaram uma eliminação dos depósitos lipídicos e uma pequena melhoria na acuidade visual.
 
“Este é um medicamento muito acessível, aprovado pela FDA, com o qual temos uma enorme experiência. Existem milhões de indivíduos que o tomam para tratar níveis de colesterol elevados e doenças cardíacas, e, com base nestes resultados preliminares, acreditamos que estes fármacos possam combater a progressão desta doença, e, possivelmente, mesmo restaurar a função em alguns pacientes com degenerescência macular associada à idade seca”, conclui um outro autor do estudo, Demetrios Vavvas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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