Estatinas podem proteger contra complicações microvasculares da diabetes

Estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”

12 setembro 2014
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O desenvolvimento das complicações da diabetes, que podem conduzir à cegueira e amputações, poderão ser reduzidas pela toma de estatinas, defende um estudo publicado no “The Lancet Diabetes & Endocrinology”.
 
Estudos anteriores já tinham constatado que as estatinas, através da diminuição dos níveis de colesterol, reduzem eficazmente o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral nos indivíduos com diabetes tipo 2. Contudo, ainda não se sabia se as estatinas afetavam o desenvolvimento de complicações dos pequenos vasos sanguíneos.
 
Assim, tendo em conta que níveis elevados da glucose estão associados à doença microvascular e uma vez que as estatinas parecem aumentar os níveis de glucose, os investigadores do Hospital Universitário de Copenhaga, na Dinamarca, decidiram testar se a toma destes fármacos, antes de um diagnóstico de diabetes, poderia aumentar o risco de desenvolvimento de complicações microvasculares. 
 
“Surpreendentemente verificámos que as estatinas diminuem, em vez de aumentarem, o risco de desenvolvimento deste tipo de complicações”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Børge G Nordestgaard.
 
De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores contaram com a participação de 60 mil indivíduos com diabetes que tinham 40 ou mais anos no momento do diagnóstico. A saúde microvascular de 15.679 pacientes que tomavam estatinas antes do diagnóstico de diabetes foi comparada com a de 47.037 pacientes que não tinham tomado este tipo de fármacos.
 
O estudo apurou que, ao longo de uma média de 2,7 anos, e comparativamente com pacientes que não tomavam estatinas, os que tomavam estatinas apresentavam um risco 34% menor de serem diagnosticados com neuropatia diabética (uma doença que pode conduzir à amputação dos pés), 40% menor de desenvolver retinopatia diabética (que pode conduzir à cegueira) e 12% menor de desenvolver gangrena. Contudo, o risco de nefropatia diabética, uma doença renal, foi similar entre os dois grupos. Foi ainda observado que os indivíduos que tomavam estatinas tinham um risco ligeiramente maior de serem diagnosticados com diabetes.
 
“Não há nenhuma evidência que associe a toma de estatinas ao aumento do risco de doença microvascular. Se as estatinas têm ou não uma ação protetora contra algumas formas de doença cardiovascular é algo que ainda tem de ser provado noutros estudos”, revelou, em comunicado de imprensa, a coautora do estudo, Sune F Nielsen. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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