Estatinas fazem aumentar risco de diabetes de tipo 2

Estudo publicado na revista “Diabetologia”

22 abril 2015
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A toma de estatinas faz aumentar consideravelmente o risco da diabetes de tipo 2, risco este que se mantém mesmo após terem sido tidos em conta fatores como idade, hábitos de tabagismo e índice de massa corporal, indica um novo estudo.
 
Já foram efetuados diversos estudos sobre a associação entre a toma de estatinas e o aumento do risco de diabetes de tipo 2. No entanto, os autores deste estudo consideram aqueles estudos redutores pois incidiram sobre camadas populacionais selecionadas como as que apresentam um alto risco cardiovascular, sendo que os achados não podem ser aplicados à população em geral.
 
Para este estudo, Markku Laakso e equipa do Instituto de Medicina Clínica da Universidade do Leste da Finlândia e do Hospital Universitário Kuopio, na Finlândia, contaram com a participação de 8.749 homens caucasianos com idades compreendidas entre os 45 e os 73 anos que tinham integrado um estudo finlandês sobre a Síndrome Metabólica nos homens. 
 
O estudo teve um período de acompanhamento de 5,9 anos, durante o qual 635 homens desenvolveram diabetes tipo 2. Os resultados da análise demonstraram que os homens que estavam a fazer tratamento com estatinas apresentavam um risco 46% superior aos participantes que não tomavam estatinas de desenvolverem diabetes.
 
Mesmo após terem sido feitos os devidos ajustes relativos a idade, hábitos tabágicos, índice de massa corporal (IMC), consumo de bebidas alcoólicas, história familiar, perímetro abdominal e tratamento com bloqueadores beta e medicamentos diuréticos, mantinha-se o aumento de risco.
 
A equipa de investigadores mediu também alterações na resistência à insulina e na secreção de insulina nos homens que estavam a fazer tratamento com estatinas. Foi apurado que, durante o período de acompanhamento, as estatinas tinham provocado uma redução de 24% na sensibilidade à insulina e de 12% na secreção de insulina.
 
Relativamente a duas estatinas, a sinvastatina e a atorvastatina, o risco de diabetes tipo 2 estava relacionado com a dosagem, tal como a redução da sensibilidade à insulina e a redução da secreção da mesma, entre os homens que tomavam aquelas estatinas. As altas dosagens de atorvastatina estavam associadas a um risco 37% superior de diabetes tipo 2. As dosagens elevadas de sinvastatina estavam associadas a um risco 44% superior de diabetes tipo 2 e as dosagens mais baixas a um risco 28% superior.
 
“O tratamento com estatinas estava associado a um aumento de 46% no risco da diabetes tipo 2, após terem sido ajustados outros fatores, o que sugere um risco mais elevado de diabetes do que se pensava na população em geral. A associação entre o uso de estatinas e o aumento do risco de se desenvolver diabetes está muito possivelmente ligado diretamente ao facto de as estatinas fazerem diminuir tanto a sensibilidade à insulina como a sua secreção”, concluem os autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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