Estatinas ajudam a combater infecções

Estudo publicado na revista “Cell Host & Microbe”

23 novembro 2010
  |  Partilhar:

Amplamente prescritas pelas suas propriedades na redução dos níveis do mau colesterol, estudos clínicos recentes indicam que as estatinas podem produzir um segundo benefício para a saúde: reduzir o risco de infecções bacterianas graves, como a pneumonia e a septicemia.

 

O estudo foi conduzido por cientistas da University of California, San Diego School of Medicine e Skaggs School of Pharmacy & Pharmaceutical Sciences, nos EUA, e publicado na revista “Cell Host & Microbe”.

 

Os investigadores descobriram que os fagócitos, os leucócitos que fagocitam (destroem) as bactérias nocivas e outras substâncias estranhas, células mortas ou no processo de morte, tornam-se mais eficazes, após a exposição às estatinas. O que surpreendeu os autores do estudo foi que a melhora da eficácia na eliminação das bactérias induzidas pelas estatinas não correspondia com um aumento na fagocitose das bactérias realizada por estes leucócitos especializados. Em vez disso, os cientistas verificaram que as estatinas estimulavam os fagócitos a libertar “armadilhas extracelulares”, que permitem a destruição das bactérias, antes que estas se propagassem pelo organismo.

 

Os resultados têm amplas aplicações, dada a popularidade destes fármacos para controlar os níveis de colesterol. Investigações anteriores já descreveram diversas propriedades anti-inflamatórias das estatinas, sugerindo que esses efeitos podem contribuir para uma redução da gravidade da doença durante as infecções graves.

 

Neste estudo, os investigadores estudaram uma hipótese diferente: se as estatinas podiam ajudar o sistema imune na destruição de microrganismos patogénicos. Os cientistas centraram-se no Staphylococcus aureus, uma bactéria resistente aos antibióticos, responsável por infecções tão leves como as da pele, até às mais graves, como a meningite ou a septicemia. No estudo foi verificado que os ratinhos tratados com estatinas foram mais resistentes às infecções por esse patógenio e os fagócitos isolados desses animais foram mais eficazes na eliminação das bactérias. Em laboratório, os cientistas verificaram que a exposição dos leucócitos humanos às estatinas aumentou consideravelmente a sua capacidade de eliminar o patógenio e outras bactérias que causam doenças.

 

Segundo assinalaram os autores do trabalho em comunicado de imprensa, os resultados mostram que as estatinas têm efeitos farmacológicos significativos, além de inibirem a produção de colesterol. "Descobrimos que estes fármacos alteram muito o comportamento dos leucócitos quando confrontado com bactérias. Nos nossos estudos, o efeito da terapia com estatinas melhorou a eliminação de bactérias e a formação de armadilhas extracelulares. Essas mesmas mudanças podem não ser consequência da defesa contra bactérias menos virulentas que podem ser eliminadas facilmente pelos fagócitos ", explicou, no mesmo comunicado de imprensa, o líder da investigação, Victor Nizet. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.