Esquizofrenia: uma doença sensorial

Estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”

16 maio 2016
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A esquizofrenia é uma doença sensorial e os indivíduos afetados por esta condição apresentam uma alteração na capacidade de processar os estímulos do meio exterior. Os achados publicados na revista “Translational Psychiatry” podem conduzir a uma nova forma de identificar a patologia numa fase precoce, antes de os sintomas se agravarem.
 

Uma vez que uma das características da doença é a alucinação auditiva, como ouvir vozes, a comunidade científica tinha há muito suspeitado de que havia uma associação entre o processamento auditivo e esquizofrenia.
 

No estudo, os investigadores do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos EUA, constataram que o modo como estes pacientes filtram a informação visual e lidam com experiências táteis encontra-se afetado.
 

John Foxe, um dos autores do estudo, refere que quando se pensa em esquizofrenia pensa-se logo em paranoia, delírio e pensamento desorganizado. “Contudo, há cada vez mais evidências de que ocorre algo de errado com a forma como estes pacientes ouvem, o modo como eles sentem as coisas através do sentido do tato, bem como na forma como veem o meio ambiente”, disse.
 

No estudo, os investigadores realizaram várias experiências em que foram apresentados estímulos visuais e táteis a 15 pacientes com esquizofrenia e a 15 indivíduos saudáveis, que funcionaram como grupo de controlo. Simultaneamente foram registadas as respostas cerebrais através de elétrodos colocados na superfície do couro cabeludo.
 

Há muito que se sabe que quando o cérebro se depara com estímulos como clarões de luz a resposta inicial é grande e forte. No entanto, à medida que o clarão é repetido a reação diminui rapidamente em intensidade.
 

Esta resposta é conhecida como "adaptação" sensorial e é um mecanismo essencial que permite que o cérebro filtre informações irrelevantes e repetidas. Os investigadores acreditam que a adaptação permite que o cérebro se liberte, de forma a responder a novos eventos e estímulos que podem ser mais importantes.
 

O estudo apurou que esta adaptação era substancialmente mais fraca nos pacientes com esquizofrenia, tanto para a estimulação visual como táctil repetida.
 

Gizely Andrade, uma das coautoras do estudo, refere que se não for possível filtrar adequadamente a informação na etapa básica da informação sensorial, não é difícil de imaginar como o mundo exterior pode começar a tonar-se bizarro e pouco fiável. “Um aspeto fundamental da forma como as nossas mentes funcionam é que podem confiar no facto de o mundo externo permanecer constante. Caso isso não aconteça, então a realidade pode ficar distorcida”, acrescenta.
 

Os investigadores esperam que esta descoberta possa conduzir a medidas simples e básicas da adaptação sensorial que pode ser utilizada para diagnosticar a esquizofrenia ou identificar os indivíduos que estão em risco de desenvolver a condição antes de a doença estar perfeitamente estabelecida.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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