Esquizofrenia: sintomas estão associados a circuitos cerebrais distintos

Estudo publicado na revista “Molecular Neuropsychiatry”

30 novembro 2015
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A esquizofrenia é uma doença difícil de diagnosticar e tratar, em parte porque se manifesta de um modo diferente nos pacientes. Uma equipa de investigadores americanos criou um mapa que demonstra como sintomas específicos da doença estão associados a circuitos cerebrais distintos, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Neuropsychiatry”.
 
O estudo realizado pelos investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, vem mais uma vez comprovar que a esquizofrenia não uma única doença, mas uma constelação complexa de problemas dos circuitos neuronais. Adicionalmente, este estudo também reforça o valor potencial da neuroimagiologia na identificação e conhecimento da doença, com o intuito de encontrar novas e promissoras abordagens terapêuticas e ajudar os médicos a acompanharem o progresso dos pacientes ao longo da terapia.
 
Para o estudo os investigadores, liderados por Aysenil Belger, compararam os resultados das ressonâncias magnéticas realizadas a mais de 100 pacientes com esquizofrenia, com os obtidos nos indivíduos sem doenças psiquiátricas. Ao longo da realização dos exames os indivíduos foram convidados a ouvir tons simples e a detetar mudanças de tom.
 
A análise revelou que os pacientes com esquizofrenia demonstraram uma atividade cerebral bem menos marcada durante a deteção das alterações dos tons, comparativamente com o grupo de controlo, uma diferença que se tornou mais evidente à medida que os sintomas se agravaram.
 
Porém, os resultados mais intrigantes surgiram quando os investigadores analisaram os padrões de atividade cerebral de pacientes com sintomas distintos. O estudo focou-se nos chamados sintomas negativos da esquizofrenia, como problemas no discurso, emoções turvas, falta de motivação, e incapacidade de sentir prazer. De acordo com os investigadores, os sintomas negativos são mais difíceis de tratar com os atuais medicamentos e podem dificultar as relações e capacidade de manter um emprego.
 
A análise das ressonâncias magnéticas revelou diferentes circuitos neurais associadas a problemas que à primeira vista pareciam semelhantes. Enquanto um médico pode achar difícil analisar se a forma afetada de conversação de um paciente está associada à falta de ligações emocionais ou problemas de formação de palavras, as ressonâncias magnéticas clarificaram este processo. Por exemplo, estes sintomas específicos foram associados a perturbações em áreas do cérebro envolvidas no processamento das emoções, enquanto outros sintomas foram mais associados a regiões responsáveis pela linguagem e controlo motor.
 
"Ficamos surpresos com o grau com que estes circuitos estavam associados a sub-sintomas diferentes, e por que houve, em alguns casos, uma quase completa falta de sobreposição do circuito entre estes sub-sintomas diferentes", revelou, em comunicado de imprensa o investigador.
 
“Muitos destes sub-sintomas estão presentes também noutras doenças neuropsiquiátricas. Deste modo, encontrar uma via neurológica ou desenvolver um tratamento para estes sintomas específicos pode ajudar a resolver várias condições”, conclui Aysenil Belger.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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