Esquizofrenia: marcador de problemas de memória foi identificado

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

08 abril 2016
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Investigadores americanos identificaram um padrão de atividade cerebral que pode ser um indicador de problemas de memória nos indivíduos com esquizofrenia. Este biomarcador é um passo importante na compreensão e tratamento de um dos sintomas mais devastadores da esquizofrenia, dá conta um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.
 

Apesar de a esquizofrenia causar alucinações e delírios, muitas pessoas têm também défices cognitivos, incluindo problemas de memória a curto e a longo prazo. Na verdade, de todos os sintomas associados à doença, os problemas de memória são os que têm um maior impacto na qualidade de vida, uma vez que pode ser difícil manter um emprego ou uma relação.
 

“Infelizmente pouco de sabe sobre a causa destes problemas de memória e ainda não há uma forma de os tratar”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jared X. Van Snellenberg.
 

A comunidade científica tem sugerido que estes problemas de memória podem ter origem em interferências no córtex pré-frontal dorsolateral do cérebro. Esta área do cérebro desempenha um papel importante na memória de trabalho, o sistema para armazenamento temporário e controlo de informações necessárias para realizar tarefas cognitivas complexas. No entanto, em estudos anteriores, que utilizaram ressonância magnética funcional aquando da realização de um teste de memória para comparar a ativação do córtex pré-frontal dorsolateral em indivíduos saudáveis e naqueles com esquizofrenia não demonstraram diferenças claras.
 

Na opinião do investigador estes resultados podem ser justificados pelo facto de os teste de memória não ter níveis de dificuldade suficientes.
 

Neste estudo, realizado pelos investigadores da Universidade de Columbia e do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque, nos EUA, 45 indivíduos saudáveis e 51 com esquizofrenia, incluindo 21 que não estavam a tomar antipsicóticos, realizaram um teste de memória de oito níveis enquanto eram submetidos a uma ressonância magnética funcional.
 

Os investigadores constataram que os indivíduos saudáveis apresentavam um aumento gradual na ativação do córtex pré-frontal dorsolateral e uma diminuição da ativação à medida que a tarefa se tornava mais difícil. Contudo, nos pacientes com esquizofrenia, medicados ou não, a resposta global foi significativamente mais débil, a resposta mais fraca ocorreu naqueles que apresentaram mais dificuldades no teste de memória.
 

Os investigadores acreditam que esta é a primeira vez que se associa diretamente um sinal do cérebro no córtex pré-frontal dorsolateral com o desempenho da memória de trabalho nos pacientes com esquizofrenia.
 

Os investigadores esperam em estudos futuros compreender por que motivo o córtex pré-frontal dorsolateral se encontra afetado nos pacientes com esquizofrenia. Contudo, referem que para já têm um alvo específico de tratamento e uma nova forma de medir se o tratamento está a ter sucesso.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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