Esquizofrenia: intervenção psicoeducativa melhora saúde dos cuidadores

Estudo envolveu cuidadores portugueses e espanhóis

04 maio 2016
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Uma intervenção psicoeducativa em cuidadores informais de doentes esquizofrénicos permite diminuir a sobrecarga e melhorar significativamente a sua saúde mental, revelou um estudo de efetividade de um Programa de Intervenção Psicoeducativo (PIP).
 
O estudo pretendeu avaliar a eficácia de um programa de intervenção psicossocial para prevenir ou reduzir a sobrecarga do cuidador de doentes esquizofrénicos ou com transtorno esquizoafectivo.
 
O estudo envolveu 223 cuidadores portugueses e espanhóis, nomeadamente familiares e amigos, dos quais 114 receberam apoio habitual do serviço de psiquiatria e os restantes foram sujeitos ao PIP.
 
Segundo a notícia avançada pela agência Lusa, os que participaram no programa frequentaram sessões de apoio durante 12 semanas. Ao longo deste período receberam informação clínica sobre a esquizofrenia e treinaram capacidades cognitivas e comportamentais, que incluíram competências de comunicação, a capacidade de encontrar e apreciar eventos agradáveis, procurar auxílio quando necessário e técnicas de relaxamento.
 
“As avaliações feitas em três momentos (durante o programa, quatro meses depois e oito meses após a intervenção) permitiram verificar uma melhoria contínua e significativa na saúde mental destes cuidadores, evidenciando a redução do impacto da doença”, refere o estudo que envolveu 16 centros das Irmãs Hospitaleiras em serviço ambulatório em Portugal e Espanha.
 
De acordo com os cuidadores, as ferramentas mais úteis obtidas com este programa foram nomeadamente os conhecimentos sobre a doença, formas de ajudar o meu familiar, relaxamento, importância de cuidar de si próprio, maior tolerância perante situações difíceis e melhoria da comunicação.
 
Quando questionados sobre as “ferramentas mais úteis” que obtiveram com este programa, os cuidadores referiram “conhecimentos sobre a doença”, “formas de ajudar o meu familiar”, “relaxação”, “importância de cuidar de mim”, “maior tolerância nas situações difíceis” e “melhoria da comunicação”.
 
Em declarações à agência Lusa, a psicóloga Catarina Vigidal, que ministrou o PIP na Casa de Saúde da Idanha, adiantou que este programa é inovador porque é dirigido aos cuidadores. 
 
“Foi muito gratificante para nós desenvolver este trabalho” com familiares, porque ”a maior parte da informação e dos programas psicoeducativos que existem é para ajudar o utente”, adiantou. 
 
Na opinião da psicóloga, os cuidadores são uma “população de risco”, porque estão expostos a uma grande sobrecarga. A doença mental grave é crónica e “consome muito da disponibilidade dos cuidadores”, que podem “sofrer consequências negativas”, nomeadamente psicológicas, somáticas, sociais, conhecidas como sobrecarga do cuidador.
 
Esta sobrecarga pode ter “efeitos adversos” na sua vida como falta de tempo, dificuldades financeiras, problemas de saúde, alterações na vida pessoal, social, profissional e na qualidade de vida. Neste programa, “o cuidador tem que olhar para si” e perceber o que pode fazer para se proteger.
 
“A pessoa vive a doença, os sintomas, os médicos e de repente tem de olhar para si e é isto que faz a diferença”, disse Catarina Vidigal, sublinhando que se o cuidador “estiver bem pode ajudar melhor o doente”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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