Esquizofrenia: como afeta o cérebro?

Estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”

18 setembro 2013
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Investigadores americanos descobriram como a esquizofrenia e os antipsicóticos afetam o tecido cerebral, revela um estudo publicado no “American Journal of Psychiatry”.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Iowa, nos EUA, analisaram as alterações cerebrais observadas nas ressonâncias magnéticas realizadas a 202 pacientes. Este procedimento foi realizado no primeiro episódio e posteriormente, a cada seis meses, até a um tempo máximo de 15 anos.
 

O estudo apurou que os pacientes com esquizofrenia tinham, na altura do seu primeiro episódio, menos tecido cerebral que os indivíduos saudáveis. Estes resultados sugerem que o cérebro dos pacientes com esquizofrenia está a ser afetado antes da manifestação dos sinais óbvios da doença.
 

“Existem alguns estudos, incluindo o meu, que referem que as pessoas com esquizofrenia têm, em média, um crânio de tamanho mais pequeno. Uma vez que o desenvolvimento do crânio fica completo nos primeiros anos de vida, poderá existir algo no início do desenvolvimento, nomeadamente complicações na gravidez ou exposição a determinados vírus, que afeta as pessoas com esquizofrenia”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Nancy Andreasen.
 

Os exames de imagens também revelaram que os indivíduos afetados por esta doença sofriam a maior perda de tecido cerebral nos dois anos que sucediam o seu primeiro episódio, ponto a partir do qual os danos abrandavam significativamente. Este resultado poderá ajudar os médicos a identificar os períodos de tempo mais eficazes para impedir a perda de tecido e outros efeitos negativos da doença.
 

Os investigadores também analisaram o efeito da medicação no tecido cerebral tendo verificado que no geral, quanto maior a dose de antipsicóticos, maior era a perda de tecido cerebral. Para os autores do estudo, este foi um resultado muito perturbador. “O impacto é doloroso pois os psiquiatras, pacientes e membros da família não sabem como interpretar estes resultados. Será que os antipsicóticos devem deixar de ser utilizados? Deverão ser utilizadas doses menores?”, referiu a investigadora.
 

O estudo apurou ainda que as recaídas mais longas estavam associadas com perda de tecido cerebral. Este achado pode alterar o modo como antipsicóticos são utilizados.
 

Os investigadores concluíram que os antipsicóticos são os responsáveis pelo facto de os indivíduos com esquizofrenia conseguirem estar integrados na sociedade, em vez de estarem hospitalizados. Contudo, estes tipos de fármacos têm também um impacto negativo no cérebro, devendo desta forma ser utilizados com grande cautela.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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