Esquizofrenia aumenta risco de diabetes

Estudo publicado no “JAMA Psychiatry”

18 janeiro 2017
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Os indivíduos com esquizofrenia apresentam, desde do início da doença, um risco aumentado de desenvolverem diabetes, atesta um estudo publicado no “JAMA Psychiatry”.

 

A esquizofrenia é conhecida por estar associada a uma esperança de vida reduzida, até cerca de 30 anos. Esta redução é em parte resultante de doenças físicas como o enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, condições para as quais a diabetes tipo 2 é um importante fator de risco.
 

Segundo o King's College London, no Reino Unido, em informação divulgada na página da Internet, os indivíduos com esquizofrenia há vários anos, são três vezes mais propensos a desenvolverem diabetes, comparativamente com a restante população. Esta associação tem sido atribuída à adoção de uma dieta pobre e à falta de hábitos de exercício, assim como à toma de antipsicóticos.
 

Neste estudo os investigadores, liderado por Oliver Howes, analisaram se o risco da diabetes já está presente no início da esquizofrenia, antes de os antipsicóticos serem prescritos e antes de um longo período de doença que pode estar associados a maus hábitos de estilo de vida.
 

Os investigadores analisaram os dados de 16 estudos que incluíram 731 pacientes com o primeiro episódio de esquizofrenia e 614 indivíduos saudáveis. Após terem analisado as amostras de sangue, os investigadores verificaram que os pacientes com esquizofrenia apresentavam um risco elevado de desenvolver diabetes tipo 2, comparativamente com os indivíduos saudáveis.
 

O estudo apurou, especificamente, que os pacientes apresentavam níveis de glucose em jejum mais elevados, um indicador clínico do risco da diabetes. Verificou-se ainda que, comparativamente com os indivíduos saudáveis, os pacientes com o primeiro episódio de esquizofrenia apresentavam níveis mais elevados de insulina, bem como de resistência à insulina. Estes dados sugeriram mais uma vez que este grupo estava em maior risco de desenvolver diabetes.
 

Estes resultados permaneceram significativos mesmo após a análise se ter restringido a estudos onde os pacientes e os indivíduos saudáveis foram emparelhados no que diz respeito à dieta, quantidade de exercício regular praticado e etnia.
 

Os investigadores chamaram a atenção para os vários fatores que podem aumentar a probabilidade de desenvolver ambas as condições, incluindo risco genético partilhado e evidência de fatores de risco de desenvolvimento partilhados, como parto prematuro e baixo peso à nascença. Acredita-se que o stress também está associado ao desenvolvimento da esquizofrenia, e que o aumento dos níveis da hormona do stress, o cortisol, também possa contribuir para o aumento do risco da diabetes.
 

Toby Pillinger, o primeiro autor do estudo conclui que a diferença de mortalidade entre os pacientes com esquizofrenia e a população geral está a aumentar, e existe uma necessidade de novas abordagens para deter esta tendência. Este estudo destaca a importância de considerar a saúde física no início da esquizofrenia, e apela a uma abordagem mais holística para o seu controlo, combinando a saúde física com a mental.
 

O investigador acrescentou que os pacientes com esquizofrenia devem ter uma melhor educação no que diz respeito à adoção de uma dieta saudável e prática de exercício físico.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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