Esquizofrenia: atividade cerebral prevê início dos sintomas

Estudo publicado na revista “Psychiatry Research: Neuroimaging”

28 março 2013
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O cérebro das crianças que se encontram em risco de desenvolver esquizofrenia tem uma atividade cerebral diferente que poderá funcionar como um marcador de vulnerabilidade, sugere um estudo publicado na revista “Psychiatry Research: Neuroimaging”.
 

Os indivíduos que têm um membro da família com grau de parentesco em primeiro grau com esquizofrenia apresentam um risco 8 a 12 vezes maior de desenvolver esta doença. No entanto, não há nenhuma forma de saber ao certo quem vai desenvolver esquizofrenia até que os sintomas se manifestem  e o diagnóstico seja estabelecido. Alguns dos primeiros sinais desta doença são o declínio da memória verbal, QI e de outras funções mentais. Os investigadores acreditam que estes sinais sejam resultantes de uma ineficiência no processamento cognitivo da informação cortical, diminuindo a capacidade do cérebro em realizar tarefas complexas.
 

Neste estudo, os investigadores da University of North Carolina School of Medicine, nos EUA, decidiram investigar se havia algumas alterações nos cérebros dos adolescentes com elevado risco de desenvolver esquizofrenia.
 

Os investigadores, liderados por Aysenil Belger, submeteram 42 crianças e adolescentes, com idades compreendidas entre os 9 e 18 anos, a uma ressonância magnética funcional. Metade das crianças tinha familiares com esquizofrenia. Os participantes despenderam uma hora e meia com um jogo onde tinham que identificar imagens específicas. Os participantes foram simultaneamente submetidos a uma ressonância magnética, com o objetivo de identificar alterações da atividade cerebral associada à execução da tarefa de identificação das imagens.
 

Os autores do estudo constataram que o circuito cerebral envolvido na emoção e na tomada de decisões complexas estava hiperativo nos indivíduos com história familiar de esquizofrenia. Os resultados sugerem que a tarefa proposta estava a criar stress nestas áreas do cérebro dos participantes.
 

"Esta descoberta mostra que estas regiões não estão a ser ativadas adequadamente. Acreditamos que esta hiperativação prejudique, eventualmente, estas áreas específicas do cérebro, a ponto de estas ficarem hipoativas. Isto significa que perante tarefas mais complexas, o cérebro não seja capaz de as executar”, explicou a investigadora.
 

"As pessoas são diferentes na forma como lidam com o stress. A aprendizagem de estratégias para lidar com o stress poderia tornar estes indivíduos menos vulneráveis não apenas à esquizofrenia, mas também a outros distúrbios neuropsiquiátricos", conclui Aysenil Belger.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

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