Espermatozóides de rato do campo «nadam» juntos até ao óvulo

Animal desenvolveu testículos para garantir descendência

25 julho 2002
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Um minúsculo rato do campo tem uma forma original de assegurar a procriação. Com apenas 21 gramas, o ratinho, da espécie Apodemus sylvaticus, tem uma fórmula audaz de conduzir os espermatozóides até ao óvulo da fémea.
 

 

Segundo um estudo publicado na revista científica Nature, os espermatozóides deste rato – existente na Europa - nadam abraçados até ao alvo. Deste modo, asseguram os cientistas, conseguem uma velocidade até 50 por cento maior do que aqueles que nadam desacompanhados.
 

 

Os espermatozóides ficam ligados por uma espécie de gancho na cabeça pela cauda. Os cientistas relataram in vitro a formação destas «uniões» fertilizadoras.
 

 

No entanto, a dúvida é saber se esta «união» é eficaz na fertilização. Isto porque apenas um espermatozóide vai tocar no óvulo e iniciar uma reacção libertadora de enzimas que permitem a sua entrada.
 

 

Depois de consumada a fertilização, os outros espermatozóides também sofrem a reacção, mas já são incapazes de penetrar o óvulo.
 

 

«Pelo menos in vitro, os espermatozóides (unidos) dispersam-se após 30 minutos. Pensamos que isso é resultado de algum espermatozóide que passou pela reacção. Isso deixa alguns com os acrossomos [região onde ficam as enzimas que permitem a entrada] intactos», refere Harry Moore, da Universidade de Sheffield, Reino Unido, co-autor do estudo. Ou seja, apesar de não ser toda a «união» que penetra no óvulo, pelo menos um «passageiro» - ou o primeiro da fila - pode ser capaz de realizar a fertilização.
 

 

O ratinho em questão, da espécie Apodemus sylvaticus, pesa cerca de 21 gramas e seus testículos podem representar até mesmo cinco por cento do seu peso. Essa proporção enorme —o mesmo que um homem de 100 quilos ter testículos de cinco quilos —, é necessária pela altíssima competição sexual na espécie.
 

 

As fêmeas frequentemente copulam com diversos machos, por isso a competição para deixar mais filhotes estendeu-se também aos espermatozóides. Com frequência, células de diferentes ratos competem no aparelho sexual feminino ao mesmo tempo.
 

 

A equipa liderada por Moore desenvolveu a hipótese de que a evolução desta «unidade» tenha surgido de uma conjunção de dois factores: a competição entre machos e a forma da cabeça do espermatozóide.
 

 

«Outros cientistas sugeriram que haveria espermatozóides “kamikazes”, os quais matariam o rival. Há evidência disso em alguns animais invertebrados, mas ainda existem poucas provas em mamíferos.»
 

 

O fenómeno poderia ser um caso de comportamento «altruísta», no qual alguns espermatozóides perderiam a hipótese de fertilização, mas, mesmo assim, passariam os seus genes para os «irmãos».
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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