Esperanças para o tratamento da dor crónica

Um derivado da neurotoxina botulínica poderá ser o alívio para muitos doentes crónicos

09 setembro 2001
  |  Partilhar:

O botulismo é uma doença provocada por uma intoxicação alimentar grave, resultante da ingestão de alimentos cuja preparação e/ou conservação não destroi os esporos da bactéria da espécie Clostridium botulinum.
 

 

A neurotoxina botulínica impede a libertação da acetilcolina pelas células nervosas. Desta forma, a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos fica comprometida e a contracção muscular afectada. Depois da ingestão da neurotoxina, segue-se um relaxamento gradual ao nível dos músculos que culmina na sua paragem muscular, que pode levar à paralisia e à morte por paragem respiratória.
 

 

As propriedades de relaxamento muscular da neurotoxina botulínica são utilizados há mais de 30 anos no tratamento de espasmos musculares, através de injecções de quantidades moderadas desta substância.
 

 

Agora, surgiu uma nova aplicação desta neurotoxina: o tratamento da dor crónica. Este é o resultado do trabalho realizado por Keith Foster e colaboradores no Centro de Investigação em Microbiologia Aplicada em Porton Down, Reino Unido. Relativamente a este avanço, K. Foster defende que “... isto pode ser o nascimento de um tratamento eficaz da dor crónica em doentes com cancro ou em doentes com sequelas de ferimentos na medula espinal.”
 

 

Os cientistas alteraram apenas uma parte da molécula da neurotoxina de modo a actuar apenas sobre as células nervosas que transmitem os sinais de dor ao cérebro.
 

 

Esta investigação também já serviu de base para o desenvolvimento de versões desta toxina para o tratamento de inflamações mas a aplicação mais promissora é, sem dúvida, o tratamento da dor crónica.
 

 

A nova toxina pode ser injectada directamente na área dorida ou na zona da medula espinal que recebe os sinais de dor daquela área. As experiências preliminares com ratos mostraram que os sinais de dor podem ser bloqueados durante várias semanas após cada aplicação da nova substância.
 

 

De acordo com K. Foster, os testes em seres humanos ainda vão demorar pois ainda não estão previstos os efeitos secundários deste novo tratamento. No entanto esta equipa de investigação é da opinião que “O resultado mais importante deste trabalho é que uma única dose desta toxina pode aliviar a dor durante semanas ou até meses, poupando os doentes crónicos à extensa medicação que são obrigados a tomar diariamente para combater a dor.”
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Nature

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.