Esperança de vida pode ser prolongada?

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

14 junho 2012
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Nas últimas décadas a comunidade científica tem-se debruçado sobre o que acontece às células após 100 anos de existência, quais as diferenças a nível molecular das células de um recém-nascido e um centenário, se estas diferenças sucedem de uma forma gradual ou se ainda é possível reverter o processo de envelhecimento.

 

Um estudo publicado recentemente nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” chega agora a uma importante conclusão sobre esta matéria. Verificou-se que o epigenoma, ou seja o conjunto de fatores que influenciam as mudanças funcionais no genoma de um indivíduo e que regulam a expressão de genes sem que a sequência do ADN seja alterada, dos recém-nascidos e dos centenários é diferente.

 

Os investigadores liderados por Manel Esteller do Instituto de Investigación Biomédica de Bellvitge, em Espanha, explicam que “enquanto o genoma de todas as células do organismo, independentemente da sua aparência e função, é idêntico, os sinais químicos que os regulam, ou seja os marcadores epigenéticos, são específicos de cada tecido ou órgão. Isto significa que todos os componentes do nosso organismo têm o mesmo alfabeto (genoma), mas uma grafia (epigenoma) diferente”.

 

Contudo, os autores do estudo verificaram agora que nos mesmos tecidos e órgãos, o epigenoma varia com a idade. Por forma a chegarem a estas conclusões os investigadores compararam o epigenoma de um tipo de células do sistema imunitário, os linfócitos, de um recém-nascido, de um homem de meia-idade e de indivíduo com 103 anos.

 

O estudo revelou que os centenários apresentam um epigenoma “distorcido” que perdeu moléculas, grupos metilo, que são responsáveis por silenciar a expressão de genes prejudicais, silenciando pelo contrário a expressão de alguns genes protetores.

 

Após terem alargado o estudo a um grupo de recém-nascidos, indivíduos de meia-idade e idosos, os investigadores constataram que este é um processo progressivo e que a cada dia que passa o epigenoma vai sofrendo alterações.

 

“Como as alterações epigenéticas, ao contrário das genéticas, são reversíveis, a esperança de vida pode ser induzida através de fármacos ou de alterações na dieta alimentar que modifiquem o padrão de metilação do ADN”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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