Espanha realiza primeiro transplante duplo de pernas

Cirurgia decorreu no Hospital La Fe de Valência

15 julho 2011
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Um jovem espanhol, com cerca de 20 anos, que sofreu um acidente de viação no qual perdeu as duas pernas, foi o primeiro paciente no mundo a receber um transplante duplo de pernas. A cirurgia, liderada pelo médico espanhol Pedro Cavadas, que demorou 10 horas e onde intervieram 50 profissionais, teve lugar esta semana no Hospital La Fe de Valência.

 

O cirurgião valenciano Pedro Cavadas já tinha ficado na história da medicina quando, em 2006, chefiou o primeiro transplante bilateral de antebraços e mãos e, em 2009, o primeiro transplante de rosto do mundo.

 

Passadas mais de 48 horas depois da operação, o médico chamou a imprensa mundial para informar que o jovem poderá sair em breve da Unidade de Cuidados Intensivos, esperando-lhe um “enorme” processo de reabilitação no qual se terá de esperar um ano para comprovar a evolução e determinar se poderá repetir-se a experiência pioneira do transplante noutros pacientes.

 

Em teoria, referiu Cavadas à imprensa, a partir de agora, o processo pode decorrer de modo a que, em três semanas, o paciente possa mover os joelhos; em dois meses possa começar a estar de pé na piscina; em três poderá manter o seu próprio peso fora de água e em seis ou sete "possa estar a andar".

 

O paciente que sofreu um violento acidente de viação, teve um traumatismo acima do joelho em ambas as pernas, à altura da coxa, e, neste caso, as próteses não podiam ser usadas. Tanto a identidade do paciente, como a do dador foram mantidas em segredo.
"As indicações deste tipo de cirurgia são muito raras. Existe quando a amputação foi numa parte tão alta que não é possível colocar uma prótese e o paciente está condenado a ficar numa cadeira de rodas", explicou à rádio espanhola o director da Organização Nacional de Transplantes (ONT) espanhola, Rafael Matesanz, explicando que, ao contrário, se o paciente perde uma perna ou a amputação acontece abaixo do joelho, é mais recomendável recorrer à prótese.

 

Matesanz acrescentou ainda que, neste caso, foi muito complicado encontrar um dador adequado, já que seria necessário cumprir uma série de requisitos como idade compatível entre receptor e doador e compatibilidade de grupos sanguíneos.

 

Cavadas descreveu a cirurgia como "complicada e com um nível de stress muito grande" como consequência do curto período de tempo que pode passar entre a remoção das pernas e a ligação ao receptor, dado que o tecido muscular é "muito sensível à falta de sangue", circunstâncias que obrigaram “a equipa a estar bem coordenada e a trabalhar muito rapidamente."

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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