Escorbuto matou colonos franceses na América do Norte

Cientistas na pista das doenças da História

10 fevereiro 2005
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O escorbuto matou quase metade dos colonos que estabeleceram os primeiros assentamentos franceses na América do Norte há 400 anos.
 

 

A colónia existiu nos anos de 1604 e 1605 na ilha St. Croix, perto da actual Calais, no Maine, e em St. Stephen, New Brunswick. Quase metade dos 79 colonos morreu durante o frio Inverno, o que levou os sobreviventes se transferissem, no Verão de 1605, para o que é hoje a Nova Escócia.Foi um dos primeiros postos avançados de colonização na costa do Atlântico norte da América do Norte, três anos antes de Jamestown e 16 anos antes de Plymouth.
 

 

Investigadores do Hospital Mount Desert Island, no Maine, EUA, disseram ter usado um processo chamado tomografia computadorizada multi-detectora para examinar os ossos dos colonos desenterrados em 1969. Depois de terem sido analisados foram novamente enterrados na ilha, em 2003.
 

 

«Pudemos visualizar o crânio inteiro em todos os ângulos, por dentro e por fora. Imagens do crânio e dos ossos das pernas mostraram um palato duro e espesso na boca e uma camada extra de tecido ósseo no fémur e na tíbia, que acreditamos ser resultado de hemorragias internas associadas ao escorbuto», explicou John Benson, director do departamento de técnicas de imagem do hospital.
 

 

O escorbuto é uma doença provocada pela carência de vitamina C, que se manifesta pelo aparecimento de lesões na mucosa intestinal, com hemorragia digestiva, vermelhidão das gengivas, que sangram facilmente e enfraquecimento dos dentes. A vitamina C pode ser encontrada em frutas cítricas, tomates e alguns vegetais.
 

 

Com base em marcas de corte encontradas num dos crânios, os investigadores afirmaram acreditar que os colonos da ilha St. Croix realizaram autópsias para determinar a causa das mortes.
 

 

Samuel de Champlain, que fez parte da expedição de St. Croix, financiada pelo nobre Pierre Dugua Sieur de Mons, descreveu com pormenores macabros os sintomas da doença. «Desenvolveram-se nas bocas daqueles que a tinham, grandes pedaços de carne embolorada que causavam grande putrefacção», escreveu no seu diário de viagem.
 

 

Noutra passagem refere: «Os dentes mal ficavam no lugar, e podiam ser retirados com os dedos, sem dor. Esse excesso de carne era muitas vezes extirpado, o que os fazia sangrar muito pela boca. Depois, surgia dor aguda nos braços e nas pernas, os membros ficavam inchados e muito rígidos, cobertos de marcas como mordidas de pulga».
 

 

A ilha de 2,6 hectares no rio St. Croix, que divide os Estados Unidos e o Canadá, e é hoje um local histórico internacional.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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