Escola de Leiria e Centro de Estudos de Lisboa em projeto contra mutilação genital

Projeto internacional com colaboração portuguesa

19 julho 2016
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A Escola Superior de Saúde de Leiria (ESSLei), do Instituto Politécnico de Leiria, e o Centro de Estudos Internacionais, do Instituto Universitário de Lisboa, integram um projeto internacional para combater a mutilação genital feminina.

 

De acordo com uma nota de imprensa à qual a agência Lusa teve acesso, a subdiretora da ESSLei, Carolina Henrique, explica que o projeto “Multi Sectorial Academic Programme to Prevent and Combat Female Genital Mutilation” "visa consciencializar estudantes e futuros profissionais de saúde para a problemática da mutilação genital feminina, passando estes conteúdos a ser lecionados em unidades curriculares dos diferentes cursos da ESSLei".

 

A ESSLei desenvolverá também com os seus estudantes "investigação neste domínio".

 

O objetivo deste projeto internacional é que se promova uma abordagem integral e multissetorial para prevenir e combater a mutilação genital feminina, através do treino, capacitação e desenvolvimento de competências junto de estudantes, docentes e profissionais nos países envolvidos, refere o comunicado.

 

Além da ESSLei e do Centro de Estudos Internacionais, integram também este projeto a Universidade Rey Juan Carlos, promotora e responsável, o Observatorio para la Igualdad de Género, a Fundación Wassu-UAB (Universidade Autónoma de Barcelona), a Università Roma Tre, a Fondazione Angelo Celli per una cultura della salute e a Vrij Universiteit Brussel.

 

Os envolvidos neste projeto vão lecionar conteúdos relacionados com esta prática.

 

A mutilação genital feminina é definida pela Organização Mundial da Saúde, pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e pela UNICEF como todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos da mulher, ou que provoquem lesões nos mesmos por razões não médicas, sendo considerada uma prática tradicional nefasta, recorda a nota de imprensa.

 

Estima-se que esta prática, assente numa profunda desigualdade de género, atinja entre 100 a 140 milhões de meninas, raparigas e mulheres, que são submetidas a um ou mais tipos de mutilação genital feminina.

 

Em Portugal a mutilação genital feminina tem vindo a aumentar, pelo que é um tópico a integrar o V Plano Nacional de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género (2014-2017), da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género da Presidência do Conselho de Ministros.

 

De acordo com a notícia da Lusa, estima-se que nos quatro países envolvidos no projeto existam 80 mil mulheres, provenientes de países onde a mutilação genital feminina é praticada, e pelo menos 15 mil raparigas possíveis vítimas desta forma de violência de género.

 

O consórcio considera que o sucesso e a eficácia das políticas públicas de prevenção e combate a esta prática dependem também da existência de profissionais com conhecimento e capacidades adequadas.

 

Nesse sentido, afigura-se essencial o desenvolvimento, implementação e extensão de uma academia multissetorial para futuros profissionais, que possivelmente terão contacto com vítimas desta prática no futuro. No total, serão 500 os estudantes envolvidos no projeto, já a partir do próximo ano letivo (2016-2017), informa a ESSLei.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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