Esclerose múltipla: sonda deteta sinais precoces da doença

Estudo publicado na revista “Annals of Neurology”

06 dezembro 2013
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A esclerose múltipla é uma doença que afeta o sistema nervoso escondendo-se do radar dos mais sofisticados métodos de deteção. Mas agora um estudo publicado na revista “Annals of Neurology” dá conta de um novo sensor molecular que deteta a doença nos seus estádios iniciais.
 

Esta doença, que afeta milhões de pessoas no mundo inteiro, desenvolve-se quando o sistema imunitário ataca a bainha de mielina que envolve as células nervosas. Este ataque danifica as células, conduzindo ao aparecimento de sintomas que incluem dormência, fadiga, dificuldade em caminhar, paralisia e perda de visão. Apesar de alguns fármacos atrasarem o aparecimento dos sintomas eles não tratam as causas subjacentes à doença, as quais os investigadores estão só agora a começar a perceber.
 

No ano passado, a mesma equipa de investigadores já tinha constatado que a rutura a barreira sangue-cérebro era um passo chave na progressão da doença. Se esta barreira, que separa o cérebro do sangue for quebrada, uma das proteínas sanguíneas o fibrinogénio, consegue entrar no cérebro. Quanto isto ocorre, a trombina converte o fibrinogénio em fibrina, uma proteína que não deveria estar presente no cérebro. À medida que a fibrina se acumula no cérebro, é despoletada uma resposta imune que conduz à degradação da bainha de mielina das células nervosas, conduzindo ao longo do tempo para a progressão da esclerose múltipla.
 

Tendo por base estes resultados, os investigadores do Instituto Gladstone, nos EUA, questionaram-se se a atividade da trombina poderia funcionar como marcador precoce da doença. De forma a responder a esta pergunta, foram utilizados ratinhos que mimetizavam os sinais de esclerose múltipla e foi desenvolvida uma sonda fluorescente que se ligava especificamente à trombina.
 

O estudo apurou que a atividade desta proteína poderia ser detetada nas fases iniciais da esclerose múltipla e que se correlacionava com a progressão da doença.
 

Estes resultados apoiam a noção de que a atividade da trombina está diretamente associada com a degradação da bainha de mielina das células nervosas e a subsequente destruição das células nervosas que caracterizam a doença. Adicionalmente, este estudo clarifica aquilo que tem sido há muito considerado um mistério, ou seja, o processo molecular que impulsiona a progressão da esclerose múltipla.
 

“No futuro, esta sonda poderá ser utilizada no diagnóstico precoce e nas intervenções terapêuticas, sendo uma forma de monitorizar eficazmente a forma como os pacientes estão a responder aos tratamentos”, referiu a líder do estudo, Katerina Akassoglou.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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