Esclerose múltipla: por que motivo os sintomas melhoram durante o inverno?

Estudo publicado na revista “Cell”

15 setembro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu que a melatonina, uma hormona envolvida na regulação no ciclo de sono-vigília, pode influenciar a atividade da esclerose múltipla. O estudo publicado na revista “Cell” pode ajudar a explicar por que motivo os sintomas desta doença melhoram no inverno e pioram durante os meses de verão.
 
Na esclerose e na maioria da doença autoimunes, os fatores genéticos e ambientais desempenham um papel importante. Contudo, nas últimas décadas a comunidade científica tem-se focado apenas nos fatores genéticos.
 
Neste estudo, os investigadores do Hospital Brigham and Women, nos EUA, decidiram investigar a relevância dos fatores ambientais. “Sabíamos que a atividade da esclerose múltipla ficava alterada com as estações do ano. O que descobrimos fornece dados que poderão explicar por que motivo isto acontece”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Francisco J. Quintana.
 
Através de uma estreita colaboração com investigadores argentinos, a equipa verificou que durante o outono e inverno os 139 pacientes com esclerose múltipla remitente tinham uma melhoria significativa dos sintomas. Posteriormente, foram explorados vários fatores ambientais que poderiam estar associados aos sintomas da doença, como níveis de vitamina D, incidência de raios UV e infeções do trato respiratório superior. 
 
O estudo apurou que a melatonina era o fator que estava consistentemente associado à severidade da esclerose múltipla. Os níveis de melatonina são conhecidos por estarem correlacionados com o comprimento do dia. Ao longo dos meses com dias mais longos, primavera e verão, os níveis são mais elevados do que durante os dias mais curtos de outono e inverno.
 
Com base nestes achados, os investigadores utilizaram modelos de ratinhos e células humanas e analisaram o efeito da melatonina em determinados tipos de células conhecidas por desempenharam um papel importante na resposta imunológica e que conduzem aos sintomas de esclerose múltipla. 
 
Os investigadores verificaram que a melatonina afetava o papel de dois tipos de células que são importantes na progressão da esclerose múltipla: as células T patogénicas, que atacam diretamente e destroem os tecidos, e as células T reguladoras, que vigiam as células T patogénicas.
 
Apesar de a melatonina ser de venda livre, tem alguns efeitos indesejados, incluindo sonolência indesejada. O objetivo dos investigadores é separar os mecanismos moleculares envolvidos no papel da melatonina, com o objetivo de desenvolver fármacos específicos, não-tóxicos, que sejam seguros e eficazes e com efeitos colaterais mínimos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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