Esclerose múltipla pode ser despoletada por toxina

Estudo do Weill Cornell Medical College

31 janeiro 2014
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A esclerose múltipla pode ser despoletada por uma toxina produzida por uma das bactérias envolvidas nas intoxicações alimentares, refere um estudo apresentado no 2014 ASM Biodefense and Emerging Diseases Research Meeting.
 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória do sistema nervoso central caracterizada pela permeabilidade da barreira sangue cérebro e pela desmielinização, um processo durante o qual  as bainhas de mielina dos neurónios ficam danificadas.
 

Acredita-se que esta doença é despoletada quando os indivíduos geneticamente suscetíveis são expostos a um ou mais fatores ambientais. Apesar de ainda não tere sido completamente elucidado, estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores já tinham sugerido que uma toxina bacteriana poderia ser um destes fatores.
 

A toxina em causa a épsilon é produzida por determinadas estirpes da bactéria Clostridium perfringens, uma das bactéria envolvidas em casos de intoxicação alimentar.
 

Estudos anteriores já tinham sugerido que esta bactéria, em particular a toxina por ela produzida, poderia estar envolvida no desenvolvimento da esclerose múltipla. Na verdade, no ano passado, os investigadores do Weill Cornell Medical College, nos EUA, já tinham observado a presença da Clostridium perfringens tipo B, uma estirpe conhecida por infetar os humanos e produzir a toxina em causa, numa mulher de 21 anos em que a esclerose múltipla se tinha agravado.
 

Neste estudo os investigadores, liderados por Jennifer Linden, decidiram avaliar o comportamento da toxina em ratinhos, e descobrir quais as células alvo em causa.
 

O estudo apurou que a toxina tinha por alvo as células cerebrais, bem como outras células do sistema nervoso central que estão envolvidas na patologia desta doença.
 

“Originalmente pensávamos que a toxina tinha por alvo as células do endotélio cerebral e os oligodendrócitos. Contudo, também verificámos que a toxina se associava e matava as células da meninge. Este achado é importante uma vez que pode explicar a inflamação das meninges e as lesões corticais e subpiais observadas nos pacientes com esclerose múltipla”, revelou, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 

Na opinião de Jennifer Linden estes resultados são importantes pois confirmam que de facto a toxina despoleta esta doença e que o desenvolvimento de um anticorpo ou de uma vacina direcionada contra esta toxina poderá parar a progressão da doença ou impedir o seu desenvolvimento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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