Esclerose múltipla: obesidade e contracetivos hormonais podem aumentar risco

Estudo apresentado congresso da Academia Americana de Neurologia

06 março 2014
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A leptina, a chamada “hormona da obesidade”, e as hormonas presentes nos contracetivos orais podem aumentar o risco de esclerose múltipla, defendem dois estudos apresentados no congresso anual da Academia Americana de Neurologia.
 

A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central que habitualmente afeta pessoas entre os 20 e 40 anos de idade. A maioria dos pacientes tem fraqueza muscular e dificuldade de coordenação e equilíbrio. Em casos graves podem ainda causar paralisia parcial ou completa.
 

Atualmente, ainda não se sabe ao certo qual é a causa da doença, mas a comunidade científica acredita que o sistema imunitário destes pacientes esteja alterado e ataque o sistema nervoso central. Os fatores genéticos e ambientais também parecem estar na base da doença. Agora estes dois novos estudos sugerem outros fatores que poderão contribuir para o risco de desenvolvimento da doença.
 

Num dos estudos, os investigadores do Instituto de Investigação Neurológica Raúl Carrera, na Argentina, calcularam o índice de massa corporal de 210 indivíduos com esclerose múltipla e de 210 indivíduos com mesma idade e sexo, mas sem esta condição. Os participantes tinham entre 15 e 20 anos de idade.
 

O estudo apurou que os indivíduos que aos 20 anos eram obesos apresentaram o dobro do risco de desenvolverem a doença mais tarde na vida, comparativamente com aqueles que, com a mesma idade, não eram obesos. Foi também observado que os indivíduos que tinham um índice de massa corporal mais elevado, apresentavam níveis mais elevados de leptina no sangue, uma proteína produzida pelo tecido adiposo que regula o armazenamento de gordura no organismo, bem como o apetite e a resposta imune.
 

Um dos investigadores do estudo, Jorge Correale, refere que uma vez que a leptina promove a resposta inflamatória, isto poderá explicar a associação entre a esclerose múltipla e obesidade.
 

No segundo estudo, os investigadores do Kaiser Permanente Southern California, nos EUA, identificaram 305 mulheres diagnosticadas com esclerose múltipla ou o seu percursor, as quais foram comparadas com 3.050 mulheres saudáveis. Foi constatado que 29% das mulheres com a doença e 24% das mulheres saudáveis tinham utilizado contracetivos hormonais, ao longo de pelo menos três meses, nos três anos que antecederam o aparecimento dos sintomas.
 

Os investigadores verificaram que, comparativamente com as mulheres que não tinham tomado este tipo de contracetivos, as que tinham apresentavam um risco 35% maior de desenvolver a doença. As que tinham tomado os contracetivos, mas interrompido um mês antes de os sintomas terem início, tinham um risco 50% maior de desenvolver esclerose múltipla.
 

“Estes resultados sugerem que a toma de contracetivos hormonais poderá em parte contribuir para o aumento da taxa de esclerose múltipla nas mulheres“, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Kerstin Hellwig.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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