Esclerose Múltipla: novo tratamento pode melhorar a qualidade de vida dos doentes

Estudo INCOMIN prova eficácia da terapêutica com interferão beta-1b

05 novembro 2001
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«A administração frequente de doses elevadas de interferão beta-1b reduz os surtos da esclerose múltipla, melhorando consideravelmente a qualidade de vida do doente». Esta é uma das conclusões do estudo INCOMIN - Independent Comparison of Interferons - realizado pela Universidade de Turim (Itália), que será apresentado publicamente no próximo dia 8 de Novembro, em Sevilha.
 

 

«Depois de dois anos de ensaios clínicos, o uso de interferão beta-1b vem dar provas de maior eficácia comparativamente ao interferão beta-1a, no tratamento da esclerose múltipla», explica o professor Luca Durelli, director do Centro de Esclerose Múltipla da Universidade de Turim e investigador principal do INCOMIN.
 

 

O tratamento com interferão beta-1b possibilita uma medicação contínua e intensiva, diminuindo as manifestações da doença. No ensaio clínico referido, cerca de 51% dos doentes tratados com interferão beta-1b permaneceu sem surtos de esclerose múltipla enquanto que no grupo que recebeu o interferão beta-1a, apenas 36% não apresentou surtos da doença.
 

 

O atraso na progressão da doença é outra das conclusões do INCOMIN. Cerca de 55% dos doentes que receberam interferão beta-1b, nos exames de ressonância magnética, não apresentaram lesões de esclerose múltipla durante dois anos. No grupo tratado com interferão beta-1a as lesões aparecem em 26% dos doentes.
 

 

Esta investigação dá um novo rumo ao tratamento da esclerose múltipla uma vez que o interferão beta-1b possibilita que os doentes tenham uma qualidade de vida superior, desde que o tratamento seja iniciado precocemente, (logo que aparecem os primeiros sintomas), de forma intensiva (dia sim, dia não) e administrado por via subcutânea.
 

 

Durelli acrescenta ainda que «os resultados completos serão publicados em breve. No entanto, estes factos já são relevantes por si próprios porque vêm esclarecer as diferenças entre o tratamento com o interferão beta-1b e o interferão beta-1a.» De acordo com este investigador, fica provado que «a terapêutica com o interferão beta-1b numa única dose semanal elevada tem mais benefícios do que várias administrações por semana do interferão beta-1a.»
 

 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória degenerativa. As pessoas com esta doença apresentam uma desmielinização progressiva das fibras nervosas do sistema nervoso central. A esclerose múltipla pode ocorrer entre os 15 e os 50 anos, com maior incidência nas mulheres. Em Portugal estima-se que existam cerca de 5.000 casos de esclerose mútipla.
 

 

MNI – Médicos na Internet

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