Esclerose múltipla: nova forma de a combater?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

20 setembro 2016
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Investigadores americanos descobriram uma nova forma de “desligar” o ataque imune prejudicial que ocorre durante as doenças autoimunes, como é o caso da esclerose múltipla, mantendo simultaneamente as funções saudáveis do sistema imunológico intactas, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 
Os investigadores da Universidade de Maryland, nos EUA, constataram que é possível tratar e curar a doença inflamatória com uma dose única de um agente terapêutico direcionado especificamente aos nódulos linfáticos, os tecidos que coordenam a função imunitária no organismo.
 
Na esclerose múltipla, o sistema imunitário reconhece incorretamente a mielina, que isola e protege as fibras nervosas no cérebro. As células do sistema imunitário entram e atacam o cérebro, conduzindo a uma perda gradual da função motora e outras complicações. 
 
As terapias que atualmente existem contra a esclerose múltipla diminuem a atividade do sistema imunológico, mas como o fazem de uma forma amplamente supressiva deixam os pacientes vulneráveis a infeções. Atualmente ainda não existe cura para a esclerose múltipla, diabetes tipo 1 e outras doenças imunológicas.
 
Assim, o objetivo do estudo, liderado por Christopher M. Jewell, foi expandir as células que são simultaneamente específicas para a mielina e naturalmente reguladoras. Desta forma, os investigadores esperam suprimir a inflamação sem afetar a função imunológica saudável. 
 
O estudo envolveu a reprogramação da função dos nódulos linfáticos. Em vez de gerar células inflamatórias que atacam a mielina, os nódulos linfáticos são instruídos a promover células imunes reguladoras que controlam o ataque contra a mielina. 
 
De forma a levar a cabo esta reprogramação, os cientistas utilizaram partículas de um polímero degradável, incorporadas com sinais reguladores. Quando estas partículas atingem os nódulos linfáticos libertam lentamente sinais imunes que promovem a maturação e migração das células imunitárias para o sistema nervoso central para impedir o ataque contra a mielina. 
 
Através da utilização de dois modelos de ratinhos para a esclerose múltipla, os investigadores demonstraram que é possível reverter permanentemente a paralisia com um único tratamento. Estes efeitos foram específicos da mielina e relacionados com alterações locais na função e nos tipos de células nos nódulos linfáticos e no sistema nervoso central. 
 
De acordo com Christopher M. Jewell, estes achados podem reverter a paralisia na esclerose múltipla ou conduzir a terapias melhores para outras doenças autoimunes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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