Esclerose múltipla: nova estratégia de tratamento mostra-se promissora

Estudo publicado na “Nature”

14 outubro 2013
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Investigadores americanos identificaram um conjunto de compostos que podem ser utilizados no tratamento da esclerose múltipla, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que envolve o cérebro e a espinal medula. Apesar de não se saber ao certo como é despoletada, determinadas infeções e falta de vitamina D são considerados fatores de risco.
 

Na esclerose múltipla, as células imunes conhecidas por linfócitos T infiltram-se na parte superior da espinal medula e no cérebro, causando inflamação e perda de uma proteína, a mielina, que reveste as fibras nervosas. À medida que as fibras perdem a mielina, perdem também a capacidade de transmitirem sinais eficazmente e acabam por degenerar.
 

As terapias atuais têm como objetivo impedir o ataque imune que elimina a mielina das fibras nervosas. No entanto, estas terapias têm-se mostrado pouco eficazes e com efeitos adversos significativos.
 

Neste estudo, os investigadores do The Scripps Research Institute, nos EUA, decidiram complementar este tipo de abordagem através da restauração de uma população de células progenitoras de oligodendrócitos. Estas células mantêm as bainhas de mielina nas fibras nervosas e, em princípio, são capazes de reparar os danos provocados pela esclerose múltipla.
 

O estudo refere que, apesar de as células percursoras dos oligodendrócitos estarem presentes nos estádios iniciais da doença, por motivos desconhecidos não se conseguem diferenciar em oligodendrócitos maduros e funcionais.
 

Os investigadores, liderados por Luke L. Lairson, analisaram uma biblioteca, de cerca de 100.000 compostos diferentes, de forma a identificar algum que conseguisse induzir a diferenciação das células percursoras dos oligodendrócitos
 

Vários compostos foram capazes de diferenciar estas células, entre estes, a benztropina, que já tinha sido bem caracterizada e aprovada para o tratamento da doença de Parkinson. Experiências realizadas em ratinhos mostraram que este fármaco foi capaz de impedir o desenvolvimento de esclerose múltipla e tratar os sintomas após terem aparecido.
 

Além de este composto ter funcionado tão bem quanto os tratamentos existentes, mostrou também ter uma grande capacidade para complementar as duas terapias mais utilizadas atualmente. Estudos posteriores confirmaram que a benztropina impulsionava a população de oligodendrócitos, que por sua vez restaurava as bainhas de mielina das fibras nervosas danificadas, mesmo na presença do ataque imune.
 

“Estamos muito entusiasmados com estes resultados, estamos agora a pensar em como desenhar um ensaio clínico”, revelou em comunicado de imprensa, Luke L. Lairson.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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