Esclerose múltipla não é despoletada por danos na mielina

Estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”

01 março 2012
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A esclerose múltipla não é despoletada pelos danos na mielina no cérebro e na espinal medula, revela um estudo publicado recentemente na revista “Nature Neuroscience”.

 

Milhões de indivíduos sofrem de esclerose múltipla, uma doença autoimune que ainda não se sabe ao certo como é despoletada. Contudo, é quase certo que esta doença envolva um ataque do sistema imune contra a mielina encontrada no cérebro e na espinal medula. Esta substância que reveste as fibras nervosas, os axónios, é importante para a sua formação e transmissão dos estímulos elétricos.

 

Existem várias hipóteses, não confirmadas, sobre o desenvolvimento desta doença, uma das quais foi agora refutada neste estudo pelos investigadores da University of Zurich, em colaboração com outras universidades na Alemanha, que sugerem que a morte das células produtoras da bainha de mielina, os oligodendrócitos, não despoleta o desenvolvimento da esclerose múltipla.

 

Assim, neste estudo os investigadores deitam por terra a chamada “hipótese neurodegenerativa”, a qual foi baseada no fato de alguns pacientes apresentarem danos característicos da mielina, apesar de não haver nenhuma evidência de um ataque do sistema imunitário. Nesta hipótese, os cientistas assumiam que a esclerose múltipla era despoletada por danos na mielina, mas sem o envolvimento do sistema imune. Neste cenário, a resposta imunitária contra esta substância seria o resultado e não a causa da doença.

 

Desta forma, este estudo teve como principal objetivo confirmar ou rejeitar esta hipótese tendo por base um novo modelo animal, no qual foram induzidos danos na mielina sem “alertar” o sistema imunitário.

 

“No início do estudo, verificámos que havia danos na mielina que se assemelhavam aos observados anteriormente nos indivíduos com esclerose múltipla”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Burkhard Becher. “Contudo, não fomos capazes de observar o desenvolvimento da esclerose múltipla nestes animais”, acrescentou o investigador.

 

Para perceber se o sistema imunológico teria que estar ativo para causar a doença, os investigadores infetaram os ratinhos, mas mesmo assim, e independentemente de quanto estimulavam o sistema imune, não foram capazes de despoletar o desenvolvimento da esclerose múltipla nestes animais. Deste modo “consideramos a hipótese neurodegenerativa obsoleta”, conclui um dos autores do estudo, Ari Waisman.

 

“Tendo em conta estes e outros resultados recentes, a investigação sobre a origem desta doença deveria se concentrar menos no cérebro e mais no sistema imunológico”, acrescenta ainda um outro autor do estudo Thorsten Buch.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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